Youtube (castidade): Há lugar para a castidade hoje? Conversa com D. Erik Varden (versão com tradução simultânea)

Youtube (castidade): Há lugar para a castidade hoje? Conversa com D
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Les avantages offerts par la chasteté contrôlée sont divers et nombreux.

S’engager dans la chasteté contrôlée apporte un apaisement certain. Le pratiquant de la chasteté contrôlée éprouve une sensation d’être pris en charge et détaché des préoccupations émotionnelles. Son cheminement est balisé, il doit simplement suivre la discipline qui lui est imposée. La réduction des impulsions sexuelles aide les hommes à diminuer les distractions mentales. Les industries de la pornographie et des rencontres amoureuses exercent une pression constante sur les individus. La diminution de l’activité sexuelle peut mener à des relations plus profondes et significatives. Cela offre de nouvelles perspectives. On peut alors se lancer dans des projets et se concentrer sur de nouveaux défis.

La chasteté masculine contrôlée est un concept répandu. Elle implique souvent l’usage d’accessoires comme des cages ou des ceintures de chasteté. Le but est de maîtriser ses pulsions et d’orienter son énergie vers d’autres objectifs.

La chasteté masculine contrôlée est une pratique où un individu, souvent un homme, décide de restreindre ses activités sexuelles en utilisant des accessoires spécialisés tels que les cages de chasteté, dont il délègue le contrôle à un partenaire. Voici certains aspects de cette pratique :Cet articleexplore la question de la chasteté controlée.

Techniques spécifiques de la chasteté masculine contrôlée :

Accessoires de chasteté : Une cage de chasteté est mise en place pour empêcher physiquement la manipulation ou la masturbation du pénis. En utilisant la cage, le partenaire, maître ou maîtresse prend le contrôle des pulsions.Confiance avec un partenaire : La chasteté contrôlée est possible seulement avec une confiance sincère et une dynamique d’abandon à l’autorité du partenaire. Celui qui détient la clé ou enferme le pénis assume le rôle de mandataire, régulant la libido et prenant en charge les préoccupations connexes. Le partenaire clé, lorsqu’il est un tiers extérieur, garantit souvent une chasteté contrôlée réussie. Les sexologues et autres coachs professionnels assurent ce service avec engagement contractuel. Les keyholders bénévoles peuvent gérer la clé, mais leur plaisir prime souvent sur celui de l’homme en chasteté.

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Retranscription des paroles de la vidéo: Muito boa tarde a todos. Bem-vindos a esta nossa conversa e com o título Há lugar para a castidade de hoje, a reconciliação dos sentidos. Eh, o meu nome é Rita Sacramento Monteiro, sou aluna de doutoramento aqui da universidade, estou a fazer o doutoramento em ecologia integral. vou estar a conduzir eh esta conversa hh que vai ser conduzida em português e em inglês. Para aqueles que precisam de interpretação, penso que já está já está disponível. Portanto, podem ir acompanhando eh a conversa e nós vamos falando em português e em inglês. O que nos traz hoje aqui é o mais recente livro do Bishop Eric Warden, que é este livro intitulado precisamente Castidade, a reconciliação dos sentidos, publicado este mês em Portugal pela editora Lucerna, está à venda aqui à saída do do auditório. E é uma grande oportunidade podermos ter hoje aqui em presença o seu o seu autor. H por isso, deixem-me dar as boas-vindas em primeiro lugar perante este painel. Deixem-me dar as boas-vindas em primeiro lugar ao Bishop Eric. Welcome. It’s a pleasure to here. H. Bem-vindo. É um grande prazer tê-lo aqui. Estamos muito satisfeitos por lhe dar as boas-vindas em Lisboa e aqui na nossa universidade. Bem-vindo. H, esta conversa terá momentos. Num primeiro momento, a Joana Viana Lopes, que está aqui ao meu lado esquerdo, ajudar-nos a a compreender os principais temas deste livro numa conversa, num diálogo com o Bishop Errick, através de algumas de algumas questões. E depois a seguir a esta conversa juntam-se a nós a três convidados que a partir da sua própria experiência e do seu estado de vida irão também colocar uma pergunta ao Bishop Eric. H, no final da conversa de ouvirmos este painel e o Bishop Eric, vamos ter naturalmente um tempo para também poderem colocar eh as vossas perguntas e poderão colocar as perguntas em português. Assim, sem mais demoras e porque pode haver aqui algumas pessoas que ainda não conheçam eh bem o Bishop Perck, permitam-me eh ler uma pequena biografia. O Dom Eric Varda nasceu na Noruega em 1974 e cresceu numa família protestante não praticante. A sua conversão ao catolicismo começou aos 16 anos após uma experiência espiritual marcante ao ouvir a segunda sinfonia de Maler, que eu também ouvi para me inspirar para esta conversa. E esta sinfonia, eu não sabia, é conhecida como a sinfonia da ressurreição. Entrou na vida monástica em 2002, foi ordenado padre em 2011 e mais tarde tornou-se abade da abadia de Mount Saint Bernard em Inglaterra. Em 2019, o Papa Francisco nomeou o bispo e prelado de Trondim, uma cidade na Noruega que já foi capital, dizia-me há pouco o Bishop Eric. com formação académica em Cambridge, Paris e Roma é hoje uma referência na espiritualidade cristã e contemporânea. Desde o ano passado presida a conferência episcopal nórdica e é membro do dicastério para o clero. Bishop Eric, senhor bispo, é uma breve apresentação. Imagino que muitas outras coisas podiam dizer a seu respeito, mas visto que nós estamos aqui numa universidade e que temos tantos estudantes aqui, eu gostaria também de lhe perguntar quando pensa e nos seus tempos de faculdade, o que é que gostou mais, o que é que o marcou mais durante estes dias? Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer imenso por estarem aqui e, enfim, deram só o trabalho de vir aqui. É uma grande alegria por estar aqui convosco. E e eu tive uma grande sorte de estar muito tempo na universidade. Fiquei lá durante 10 anos. Houve muitas alegrias. Em primeiro lugar, esta alegria, a simples alegria de aprender e de descobrir uma clareza de pensamento, a beleza, hum, do raciocínio, a grande riqueza da tradição intelectual e depois em conversas com outros e de outras de outras disciplinas. E e é ex é ótimo, assim como acontece aqui na Católica, ter um campus onde existem muitas faculdades. Claro que não estão de facto no mesmo edifício, mas estão de facto sob o mesmo céu, enfim, e no mesmo campus para que as conversas possam ter lugar entre as áreas do saber. e diria que as amizades, eu penso que todos tiveram esta experiência, que o tempo na universidade, o tempo na faculdade é um tempo excelente para fazer amizades e e falo por mim, alguma das amizades e que foram bastantes que eu fiz durante os meus tempos de universidade e definiram a minha existência hum até aos dias de hoje. E finalmente os meus tempos na universidade foram de facto um tempo de aprofundamento da fé. Isto também e fazer parte de uma comunidade intelectual, que também pode ser uma comunidade de fé, em que se podia rezar em conjunto e ter conversas sobre sobre a fé e com alguma profundidade e isto foi um grande alimento e continua também a ser um alimento até aos dias de hoje. Muito obrigada. De certa maneira, nós estamos aqui hoje também para estarmos em relação em para aprendermos e para partilharmos à volta deste tópico da castidade e desta virtude. E portanto agora eu vou dar a palavra à Joana para que ela vos possa fazer algumas perguntas sobre o seu livro. Vou apresentar eh para todos os presentes. Já perceberam que foi ela que que traduziu os dois livros do Dom É Eric Varden. A Joana Viana Lopes eh traduziu primeiro o livro Romper a Solidão, que alguns aqui já terão lido. Eh, e o mais recente e que inspira esta conversa e que se chama então Castidade, a reconciliação dos sentidos. A Joana é teóloga, é membro ativo das comunidades de vida cristã, é casada e é mãe de quatro filhos. Joana, muito obrigada pela tua presença e pelo trabalho de tradução e passo-te a palavra. Aqui estamos. Eu estou muitíssimo satisfeita por estar aqui eh consigo e para mim é uma grande gratidão, uma grande eh alegria estar aqui h consiga a falar de frente a frente h para um livro que me ocupou tantas tantas horas da minha vida, um bocadinho lutar com as palavras para que isto fosse um bom retrato do seu sentido. É um grande prazer falar sobre a ccidade consigo. muito obrigada por estar connosco. Souz eh h tenho estado muito comprometida com as suas palavras e o seu pensamento e com esta h atividade de o tornar acessível eh aos portugueses. Mas é incrível como ainda na semana passada, ao reler tudo, tomei consciência de que as palavras carregam consigo uma frescura que me toca profundamente. Tive e inspirações novas que não tinha tido na altura em que o traduzi. Por isso, isto fala muito da fecundidade que está neste livro. fala muito sobre ser um livro que é para todos, que falará a verdade de cada um e que a partir daí cada um poderá fazer o seu caminho. E é também seguramente um livro que valerá a pena voltar mais tarde noutro tempo, porque ele terá eh mais coisas a nos dizer sobre a castidade e sobre a forma como podemos orientar a nossa vida eh para Deus. O livro eh tem muitas eh camadas e é notável nesta sua riqueza e nesta sua frescura que nos traz enquanto amadurecemos, não é? está enraizado nas profundezas da nossa da nossa humanidade, por isso tem eh o poder de abrir os nossos olhos, o nosso coração e a nossa mente para uma forma de ser renovada, para uma nova forma de nos relacionarmos com os outros e com Deus, uma forma mais viva e por isso também mais fecunda. Então, espero que a nossa conversa hoje aqui possa abrir o caminho de todos os que estão aqui, que mais tarde vão ouvir esta nossa sessão e, claro, daqueles todos aqueles que lerão o livro eh mais tarde. Começo com as suas próprias palavras. Com este livro, espero libertar a castidade de um aprisionamento em categorias demasiado estreitas, permitindo que ela se expanda, estique os membros, respire livremente, cante até talvez. Dada a complexidade e a longa história deste termo, acho que preciso que nos situe, explique-nos o que é afinal a castidade. Bem, de certas maneiras, eu li este livro para descobrir, escrevi o livro para descobrir isso mesmo. E eu tinha com muitas pessoas, costumava ter uma ideia, uma compreensão muito negativa do que é castidade. Era uma palavra que me enchia de algum nervosismo e de alguma tensão. E eu pensei e eu pensava sobre a castidade em termos de negação. pensava h sobre a negação de sexo em termos de não fazer, não pensar sobre não ser alguma coisa, e obviamente com o propósito de uma virtude, mas pensava em termos da da mortificação, em termos de matar alguma coisa. Enquanto jovem na universidade, eh, sabem que eu estava já pensava sobre uma vida religiosa. Eu comecei a discernir a uma vida monástica. uma vocação que se tornou cada vez mais clara. Portanto, eu estava a tentar viver de uma maneira casta. Eu nem sempre achei que fosse fácil. E eu fiquei sendo todas as contradições que viviam dentro de mim, na minha mente, no meu corpo, na minha carne. E por isso mesmo, a castidade representava para mim uma luta. E por isso, e foi de facto um desafio muito interessante. Quando eu entrei no mesteiro, eu sou um mongeciente. Nós vivemos seguindo a regra de São Bente. Um uma regra do século V é muito concisa. A regra é só essência. E o que o São Bento diz sobre a castidade é muito firme e muito concentrado. Ele resume isto em duas palavras. Quando no quarto capítulo da regra, ele afirma amar, amem a castidade. E eu pensei, mas o que é que isto significa? E eu via a castidade como de certa maneira ser algo de admirável, de heróica, mas eu não sei o que é que nós poderíamos gostar ou amar na castidade. Portanto, eu pensei, bem, deve haver aqui alguma coisa que eu não percebi, que me falha e visto que eu ia começar a viver h seguindo esta regra pelo resto da minha vida. Portanto, seria, enfim, seria importante tentar pelo menos perceber o que é que isto quer dizer. E enfim, eu sou um bocadinho nerd. Eu sentei-me com dicionários e e eu pensei, mas deve haver aqui alguma coisa nesta castidade mais do que aquilo que as minhas associações me sugerem? E isto em parênteses, bem, isto é um exercício que eu gostaria muito de recomendar em vários contextos, porque muito facilmente as palavras podem ser cair em armadilhas h devido a uma interpretação que já foi feita pela nossa tradição ou podem ser instrumentalizadas para um determinado propósito e nós esquecemos qual é o seu verdadeiro significado. Portanto, salvar as palavras das prisões semânticas é uma tarefa que vale muito a pena. Portanto, sentei-me sentei-me com um dicionário de latim etemiológico e olhei para a utilização de castidade na literatura em latim. E eu comecei aqui a encontrar coisas muito interessantes porque eu descobri que na antiguidade, na altura do Cissu e eh no final da antiguidade, nos tempos de São Bento, o termo castitass casto e castidade eram utilizados de um modo que não dizia primordialmente a ver com a sexualidade ou com a moralidade sexual. E no latim da antiguidade, castitas, castus poderia ser utilizado como um sinónimo de impenger, ou seja, todo inteiro. Portanto, ser casto, hum, nesta interpretação seria aspirar a viver com integridade. E é aqui que começa a entrar o tema da reconciliação. Alcançar a castidade é tentarmos viver de tal maneira que as nossas diferentes faculdades, os nossos diferentes apetites, desejos e inspirações que constituem o meu ser possam e estar em confluência, como por exemplo diferentes vozes num corfónico, para dar origem a um som único, um som lindo, um som prazeroso. E então pensei que a castidade pode ser algo que pode ser amado. Quem entre nós não gostaria de viver com integridade? Quem entre nós não gostaria de aparecer perante os outros como um homem ou mulher íntegro? E isto diz respeito a alguma coisa que também que é um tema profundamente bíblico, que é a reunificação do coração, que é um tema que encontramos nos Salmos. Deus unifica o meu coração, torna o meu coração uno. E também é um tema que remonta h à primeira história vocacional da da Bíblia de Abraão, que como bem se recordam, e passa por muitas fases diferentes. Quando Abraão tem 99 anos, ele recebeu uma uma revelação privilegiada do Senhor, uma renovação h do seu do da sua aliança. diz eh Abraão quando c ser perfeito, ou seja, caminha na minha frente e ser muito, muito, muito, muito bom. E o que a palavra hebraica significa é eh caminha à minha frente e se inteiro. Portanto, isto é basicamente o chamamento que é feito a cada um de nós. H andar perante o Senhor, e andar perante a humanidade e ser íntegro, inteiro. E é uma maneira de superar a fragmentação de que até um certo ponto limita a nossa existência e através e com a graça de Deus e através da utilização das nossas faculdades naturais de aspirar à santidade e alcançar a santidade. E nestes termos ocorreu-me que este tema da castidade não simplesmente é algo de muito interessante, mas é uma palavra extremamente útil no mundo como o nosso, em que não estamos tão conscientes de fragmentação a todos os níveis em termos da nossa própria experiência, em termos políticos, em termos culturais e a razão pela qual também eu tentei eh apresentar esta noção e a realidade da castidade não simplesmente enquanto uma educação eficaz, uma educação moral, mas uma lição naquilo que significa ser um ser humano, ser um ser humano inteiro e viver uma vida fecunda. Parece-me que é muito importante para percebermos o que é que é ser casto, perceber que partimos da visão do que é que é ser homem, a visão bíblica do que é que é ser homem. Porque para mim houve uma frase h lapidar na primeira vez que li, que quase que virou a minha realidade ao contrário, ou na verdade percebi que estava eu a andar virada ao contrário. A frase diz assim: « Em termos existenciais, na verdade não sabemos o que é natural para nós, por isso lutamos para viver naturalmente. » Não é? Esta afirmação configura o nosso ponto de partida verdadeiro e justo, mas não é assim que normalmente olhamos para nós próprios. Por isso é muito interessante que num segundo capítulo exponha toda a visão do que é o ser humano bíblico h para nos colocar no ponto de partida certo? Pode nos explicar um bocadinho? Bem, mais uma vez é algo que eu elaborei porque me interessa e para mim representou um desafio. E a questão de aquilo que é e aquilo que não é ser natural é uma questão muito importante. Sabem que pode acontecer que, por exemplo, estamos vamos fazer um ex um exame ou vamos ter, de facto um painel em que temos que ter uma uma tese e estamos muito nervosos e os os vossos amigos querem animar-vos. Ah, não se preocupe. Olha, ser natural, simplesmente ser natural, como se fosse fácil. Ser natural é de facto extremamente difícil, porque na maior parte das vezes sabem que nós temos aqui na nossa mochila ou na nossa bagagem temos uma multiplicidade de máscaras que colocamos para ocasiões diferentes. Nós, inclusivamente, podemos ter vozes diferentes que utilizamos em ocasiões diferentes. Podemos ter diferentes assinaturas, inclusivamente virtualmente podemos ter identidades diferentes que utilizamos para propósitos diferentes. Portanto, isto é um aspecto desta aspiração a ser natural que penso vale muito a pena pensar sobre isto e também conceptualizar para ficarmos muito claros sobre aquilo que significa. Mas do ponto de vista cristão e bíblico, a questão que se coloca ainda tem mais urgência, porque a Bíblia apresenta-os como a visão da natureza humana que eu que eu tentei elaborar no livro. E é por isso é que o primeiro capítulo se chama O que é ser um ser humano e tenta interpretar a narrativa da criação. Quando nós olhamos e para os primeiros capítulos do Gênesis, nós recordamos-nos dos sete dias da criação e também da maçã e da cobra e depois a expulsão do paraíso. aquilo que nós com facilidade nos esquecemos particularmente, enfim, nesta tradição ocidental cristã, porque nós ficamos muito fixados na queda, é que existe um estado original da humanidade que antecede a queda. Quando o homem e a mulher estão perante Deus numa liberdade perfeita, numa relação h perfeitamente natural, olhando para Deus com amigo, exatamente castos e íntegros, sem medo de Deus, sem medo um do outro. Mas o que acontece como resultado imediato daquele evento que nós habitualmente chamamos a queda, que foi uma quebra de confiança em que o ser humano eh violou o único mandamento que existia no paraíso e fez aquela coisa, a única coisa que não poderia fazer. E e disseram para não fazer, Deus disse isso para não fazer para o próprio bem deles. E de facto não como a maçã, não como o fruto, mas de facto a curiosidade venceuos. E o que é que aconteceu como resultado desta quebra de confiança? Tudo o que existia antes e aquilo que estava claro anteriormente tornou-se confuso. E quando anteriormente havia uma abertura, falta de medo, um encontro, uma liberdade de olhar para os outros, o olhos nos olhos, de repente aparece o medo, a ansiedade e a perplexidade. O homem esconde-se de Deus e o homem e a mulher escondem-se um do outro. E enquanto anteriormente eles tinham uma bússola muito clara que os apontava para uma feidade e uma felicidade e agora sentem-se muito incertos e muito confusos. E isto é última análise e é aquilo que é o pecado. É isto que o pecado significa. Nós temos uma tendência na nossa tradição ocidental cristã pensar pensar nós que somos pregadores da fé e temos que assumir alguma responsabilidade por isto, nós habitualmente apresentamos o pecado primordialmente em termos de transgressão e de culpa. E existe, existe este elemento também no pecado, mas fundamentalmente o pecado tem a ver com a desorientação. E também é útil h percebermos este termo. Se nós analisarmos de facto o a palavra helénica no Novo Testamento para pecado não era utilizado na educação moral, mas sim no desporto. Tinha a ver com lançamento do dardo ou at a triar e com o arco. Portanto, o termo armataro e com o verbo armatia, que no Novo Testamento é traduzido como pecado. A antiguidade helénica significa falhar o alvo, não conseguir alcançar o alvo, ou seja, também seguir o caminho errado, a estrada errada, estar num sítio onde não tinham, onde não tínhamos intenção de ir. Portanto, aquilo que o pecado significa em termos bíblicos é como viver com GPS que tem um erro na programação e que temos de facto um sítio onde nós queremos chegar e simplesmente este o GPS não nos leva lá porque o GPS está confuso, está desorientado e temos uma bússola desmagnetizada. Portanto, para reaprendermos a viver naturalmente é viver em termos desta promessa, desta bem-aventurança inicial e desta liberdade. E vivermos nesta esperança e na confiança de que pode ser restaurada este ser original, é como voltar a magnetizar a bússola. Portanto, é por isto é que este curso, este percurso no sobre o que é natural é muito importante, porque com facilidade hoje em dia dizemos: « Ah, isto é natural para mim porque é aquilo que eu que eu acho ou que eu sinto ou porque é isto que eu me sinto atraído a fazer ou porque isto é uma coisa que eu estou habituada a fazer ». Mas será que corresponde de facto com os meus desejos mais profundos? eh mesmo isso e pela liberdade, eh seguindo neste caminho que todos somos chamados a fazer eh para atingir uma vida casta, eh ao longo do livro hh é assim muito saboroso como vai deixando eh sinais da misericórdia amorosa de Cristo por toda a parte, não é? Vou mencionar algumas. Cristo não foge das nossas contradições, não se surpreende com a nossa desordem, por mais miserável que ela seja. Nada no homem permanece sem redenção. Depois de ler todo este livro, de ver este caminho que tenho pela frente, fica-me a pergunta: porque é que é tão difícil deixar que esta força vivificante, a misericórdia, a misericórdia amorosa de Deus se torna fonte da nossa própria vida? tem nos remete mais uma vez para aquele erro da programação e esta necessidade de recarregar o GPS, porque para a maior parte de nós é extremamente difícil e acreditarmos que alguém que me consiga ver sobre aquilo que eu verdadeiramente que conheça toda a minha história, ver a minha vida como um livro aberto à sua frente e ainda assim amar-me. É mesmo difícil acreditar que alguém me possa ver como eu verdadeiramente sou e mesmo assim e só simplesmente aguentar-me. E eu penso que com grande facilidade enquanto seres humanos, como seres humanos feridos, nós partimos do princípio que se alguém me visse como eu verdadeiramente sou e que alguém soubesse aquilo que está verdadeiramente no meu coração, se alguém soubesse aquilo que eu fiz, iriam pôr milhas, iam fechar a porta na minha cara e nunca me queriam ver outra vez. Ora, isto é o pecado, é este é a confusão e é isto é uma mentira. E aquilo que a narrativa bíblica confirma desde o início até ao final. E aquilo que a vida e o exemplo de Cristo provam, é que Deus que nos criou, que é omnisciente, que nos vê, que nos conhece melhor do que nós nos conhecemos a nós próprios, como Santo Agostinho. Santo Agostinho gostaria e costumava dizer, não simplesmente não foge de nós, não, mas afirma que nós somos amados e que somos amáveis, dignos de amor e que nos envia este convite para nós tornarm-nos aquilo que nós temos aos seus olhos, o potencial de nos tornarmos. Isto é que é lindo. É de facto uma eh é uma e isto é uma oração maravilhosa. Eh, Senhor, faz-me belo e que eu eh cumpre a tua promessa em mim, cumpro o meu potencial. Ajuda-me a cumprir o meu potencial. O que nós temos que fazer para nos curar h desta, deste apontamento é voltarmos frequentemente a estas promessas bíblicas ou os ensinamentos de Cristo. E simplesmente, particularmente quando estamos vulneráveis, mas sempre com muita determinação e particularmente quando nós nos apetece fecharmos em nós próprios e fugir e estar desanimados. Não dar ao inimigo da humanidade o que oi ou bem, o inimigo de Deus, a satisfação de que nós eh fiquemos fechados no nosso próprio na nossa própria vergonha, mas que nós possamos ter confiança no amor de Deus e na nossa possibilidade de responder ao seu amor. Podemos continuar esta conversa. Gostava muito. Hum, aqui como epígrafe do do livro lemos o Biamor e Bió Oculus. That’s right. Hum. Num livro que se chama Castidade, a reconciliação dos sentidos. No início eu pensei bem, não sei exatamente o que é que isto quer dizer neste momento. Em português significa onde há amores, aí haverá um olho que vê. E é incrível como em quatro palavras nós temos o âmago deste livro, uma síntese que não está, eu acho que muito daqui se vê hidado que o Dom Éric põe em tudo aquilo que faz. Aqui está o âmago, mas não de forma transparente e escancarada, está como que de uma forma velada. Por isso, como última pergunta, queria queria perguntar: « O biamor e bióculos é um ponto de partida, um ponto de chegada ou um ponto de luz? É de facto uma situação maximalista, mas é um tema que é recorrente, que é recorrente na escritura e na tradição cristã. Está muito associada com aquilo que nós acabamos de de dizer. Como sabe, uma das coisas que muitas vezes que eh complica as relações humanas é que ou nos esquecem-nos do olhar dos outros, eh, enfim, colocando os nossos as nossas máscaras e ou rece e fugimos, ou, inclusivamente, o facto de que a nossa própria maneira de olhar para os outros muitas vezes não é uma maneira inocente. Olhamos para as outras pessoas com interesse, nós pensamos: « Ah, olha, como é que esta pessoa pode pode ser útil? Como é que esta pode servir aquilo que eu tenho em mente? Como é que ela pode servir para a satisfação dos meus desejos? Como é que eu consigo manipulá-la ou manipulá-la? Como é que eu posso aproveitar esta situação de tal maneira que eu vou ser o o que tem a situação sob controle? Isto pode ser um exemplo de um olhar que não é por um olhar fragmentado que está a ser envenenado pelo e autointeresse. A citação que vem de um teólogo a a medieval, um agostiniano em França, está intimamente ligado com o ensinamento de Cristo no Evangelho no sermão da montanha, quando ele nos diz para que o nosso olhar seja puro não fragmentado. Ele eh fala da relação existente entre o amor e a visão. Amar e ver é muito importante. Nós temos uma tendência nas línguas modernas e contemporâneas de e falar do amor em termos sentimentais. O que é que é amar? É sentir alguma coisa por alguém? É querer abraçar alguém? É querer ser abraçado por alguém? Algumas pessoas diriam que também e querem ir para a cama com alguém, mas de facto este aspeto passional do amor é é verídico. Mas mais importante do que isto é que o amor precisamente está enraizado numa preparação, num desejo de ver e de ser visto. E nós podemos, de facto, capturar isto na maneira como duas pessoas que verdadeiramente se amam olham um para o outro. ou podemos vê-lo, eu usei este exemplo no livro e eu e eu acho que este exemplo é extraordinariamente fascinante. Quando se alguém eh põe um bebé ao colo e por exemplo um bebé de 4 ou 5 meses e particularmente eh se de facto se somos celibatários e que não h e não estamos habituados a crianças, nós temos imenso medo de deixar cair. Nós percebemos que este bebé nos olha diretamente para os olhos e temos esta sensação que eles conseguem ver-nos até ao nosso o mais profundo ser, mas mas sem qualquer complexo, sem nenhum recémio, sem qualquer agressão, sem qualquer agressividade. E muitos das nosso, do nosso ver atual está impulsionado pela agressividade. E muitas vezes este olhar é está fragmentado por estas coisas que todos os telemóveis que trazemos nos bolsos e que nós estamos sempre a ver e a fazer o scrolling dia após dia, hora após hora. Portanto, libertar o nosso olhar, reganhar a nossa liberdade de imaginar, ver as pessoas para aquilo que elas verdadeiramente são, mais do que propriamente, em termos das minhas próprias projeções. E isto é aquilo que significa ser amado e amar. É por isso é que a aquisição de um olhar que consiga verdadeiramente ver e não simplesmente consumir constitui uma parte tão importante da nossa maturidade humana e cristã, uma capacidade de ver o mundo, de ver os outros de tal maneira que seja não possível, que pode usufruir, que pode agradecer por outra pessoa sem cair na tentação de dizer é minha ou é meu que pode tantas vezes ser uma tendência hum como o Drácula, que utiliza as outras pessoas só para lhes sugar a sua vitalidade, a sua vida, para que eu me possa sentir um momento de satisfação. Isto não é amor little about livro tem uma riqueza enorme. Estes minutos de conversa tão em duas páginas. Leiam, por favor, vale mesmo muito a pena. vão encontrar uma sabedoria imensa e vão perceber que esta preocupação sobre como é que nós vivemos castos não é um problema de hoje. E é um problema que nos padres do deserto foi enfrentado de forma muito perspicaz e que nos ajudaria imenso a fazê-lo da mesma forma hoje em dia. Por isso, tá lá fora, emprestem uns aos outros. Não façam fotocópias porque não dá, mas leiam e vivam. Muito obrigada. Muito obrigada, Joana. Muito obrigada, Dom Éric, por estas perguntas e por estas respostas. Já ficamos com h uma noção daqueles que são os grandes temas eh do livro, como é que o Dom Éric constrói o seu argumento para propor a castidade e porque é que a castidade h e passa por uma reconciliação dos dos sentidos. Foi muito bom eh ouvir este este diálogo e é bonito vermos a tradutora quem permitiu que pudéssemos ter acesso ao livro em português e o seu autor. HH é muito bom. Eh, vamos passar à segunda parte eh desta nossa conversa com mais três convidados. Agora sim, vou apresentar as outras três pessoas que temos eh em palco. Vamos agora trazer a realidade e a vida encarnada hh e a realidade concreta de quem h tem um determinado estado de vida, uma determinada história, uma determinada personalidade e quer também perceber como viver eh a castidade, como desenvolver esta esta virtude. E, portanto, temos três pessoas a que eu vou começar por apresentar brevemente e que irão entrar agora no diálogo com o Dom Éric e cada um fazer-lhe uma, duas perguntas. Já veremos o que é que é, o que é que é possível. Então, em primeiro lugar, temos a Madalena Videra, que vai ser a primeira a colocar uma questão. A Madalena tem 23 anos, está no último ano de medicina medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. participou na organização da Missão País, que seguramente toda a gente conhece, mas que eu direi que é um projeto universitário que leva o Evangelho às comunidades e portuguesas, está ligado ao movimento Schunstad e tem colaborado na organização de vários campos de férias católicos. Depois vamos ouvir eh o diácono Afonso Sampaio Soares, que é licenciado em direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, mestre em teologia pela Universidade Católica, onde estamos, onde defendeu a tese A presença real de Jesus na Eucaristia. Atualmente exerce o seu diaconado na paróquia da LournhÃ, com vista à ordenação sacerdotal, que em princípio acontece já no próximo mês de novembro. Por fim, vamos ouvir, tá tudo a rir, estão a reagir com entusiasmo à à ordenação eh sacerdotal eh do Afonso. Por fim, vamos ouvir uma pergunta do Vasco Almeida Ribeiro, que é casada há 8 anos com a Mafalda, pai de quatro filhos com mais um a caminho, é project manager numa empresa de seguros e juntamente com Maafda costumam dar testemunhos eh sobre o namoro cristão. mais recentemente tem partilhado a sua experiência em torno do tema da adição à pornografia e do caminho para a superar. Cada um dos três vai entrar agora em diálogo com o Dom Éric, com uma pergunta concreta a partir do lugar de cada um. Obrigada aos três e a palavra é vossa. Vou passar o meu microfone à Madalena. Eh, Dom Éric, h, há ensinamentos na igreja que vemos que se vão alterando e que se vão adaptando aos nossos tempos. Eh, mas ao olhar para a castidade, percebo que não é um destes ensinamentos. Ou seja, eh, olhar com a castidade percebo que é uma virtude imutável. E a minha pergunta é: o que é que faz desta virtude uma virtude imutável que não se vai mudar e mesmo que os tempos e as circunstâncias se alterem? Porque, tal como disse anteriormente, porque não tem tanto a ver com a ver com preceitos morais, mas antes com o nosso estado de ser humano. O ser humano, aliás, para quem estudou história ou literatura, dirá que o ser humano enfrenta os mesmos conflitos, as mesmas tensões, as mesmas incertezas em qualquer tempo. E, portanto, castidade, no meu entender, e, como a apresento no livro, tem a ver com o aprender a viver de acordo com um propósito divino, que é o propósito que está impresso no nosso a ser. E, portanto, se eu eh o aceitar com toda essa seriedade e eh na nas escrituras diz-se que eu fui criado e na imagem de Deus. E, portanto, se isso é verdade, qualquer eh coisa que eh não atinja essa imagem de Deus não nos dá satisfação. Podemos ter pequenas satisfações seguindo outros percursos, outros e caminhos e eh serão satisfações temporárias, mas não preencherão plenamente. Portanto, para se aprender a viver e de forma casta e inteira, como eu sugeri, antes de mais, é aprender a ultrapassar a divisão que condiciona a nossa experiência e estar disposto a aceitar e o o dom que Deus preparou para nós e assim crescer e transformar-nos em função desse domicar. como são São Pedro nos exorta a fazer na no Novo Testamento, na sua segunda carta e na divina natureza em que a nossa eh divindade seja preenchida na presença de Deus. Portanto, é em última análise, isso é que é castidade. Eh, Dom Éric, é sabido que fora da igreja a castidade é visto como algo antiquado e às vezes absurdo, mas o que me traz algum transtorno é que dentro da própria igreja já haja algumas vozes que também vê a castidade como algo relativo. E a minha grande inquietação é como é que isto é possível, como é que dentro da igreja há tanta discórdia e como é que com os mesmos fundamentos e com a mesma doutrina chegamos a conclusões diferentes sobre este tema da castigade. Parece-me que é porque muitas vezes a discussão ocorre a um nível demasiado superficial que endereça eh antes de mais ou até mesmo exclusivamente eh os hábitos e eh ou atitudes em vez de eh entrar na natureza humana daquilo que somos ou aquilo que podemos ser. e eh no contexto católico, qualquer tentativa de falar de um tema que eh que eh interessa os temas de afeção ou sexualidade e toca e trauma ou e uma ferida porque e nós somos e dolorosamente conscientes de como se liber CTO tem causado imensa dor. Isto é algo que temos que reconhecer em toda a verdade, reconciliar-nos com ela em termos de justiça, compaixão e reparação. Portanto, não podemos, por esta razão, eh, deixar-nos emperrar na atitude destes temas fundamentais que estão associ associados à alegria e ao florescimento e eh que se opõem a ao a à tristeza, à desilusão, ao medo. E até pode esse medo e essa desilusão podem estar justificados, mas é necessário, na verdade entrar mais aprofundadamente na discussão e entrar e no solo de nossa fé cristã e compromisso, que é a revelação de Deus em Jesus Cristo, que é o mistério da encarnação que nos eh revela do que a natureza humana é capaz e ao qual somos chamados, a comunidade do divino e a revelação. É, é, portanto, aprender uma forma divina de ver as coisas. Dom Éric, gostei muito de ler o seu livro, li as 51 páginas com muito gosto e proveito. Teria muitas perguntas a fazer-lhe, mas o tempo e tenho que gerir o tempo e vou-lhe fazer aquela que me parece mais premente. As a páginas tantas, o Dom Éric conta que estava para entrar no mosteiro, entra no mosteiro e o monge lhe disse que disse o seguinte: « Não tens o direito de viver uma vida estéril ». Eu lembro-me também quando estava em discernimento vocacional, o padre que me acompanhava, o padre João Seabra, disse-me que às tantas estava falado da paternidade. Padre João disse: « A vocação solibatária, a vocação sacerdotal é uma forma exponencial excelente de viver a eficácia paternal, viver, portanto, o contrário da esterilidade. Podemos dizer que o não ser casto pode gerar esterilidade e a castidade gera essa fecundidade que todos almejamos. gostaria de ouvir também como é que marcou esta frase e se nos pudesse ser mais sobre isso. Muito obrigada por e dizer isto, porque e eu penso que foi o conselho mais útil que eu alguma vez ouvi na vida. Eu não disse que eu, enfim, tenha vivido muito bem, mas e soa-me eh nos ouvidos. E foi algo que um amigo meu me disse quando eu decidi ir para a vida monástica. Ele também era monge e beneditini e durante, enfim, ele já estava quase a chegar aos 90 anos de idade, portanto há mais de 100 anos que era mong. Ele estava muito a encorajar neste caminho da vida monástica, mas também eh gostava muito de me dizer o que é que se tratava a vida monástica, aquilo que era e aquilo que não era. Tivemos uma conversa sobre este compromisso de celibato que é muito diferente do compromisso de ser casto. Eu gostaria muito de dizer isto de uma maneira muito clara, fazer esta distinção. A castidade e o celibato não são a mesma coisa. O celibato é um estado de vida e com um objetivo espiritual através do qual um homem ou uma mulher não pratica vida sexual. E h vocação e é uma vocação ao fim e ao cabo bastante rara na igreja, enquanto que a castidade chamamento a sermos inteiros é um convite universal, um algo que nos diz respeito a todos. Mas mesmo eh no estado eh celibatário, para seguir este caminho do discipulado, isto não significa que h que tinhamos que viver fechados em nós próprios. E foi exatamente este que o que este velho monjo me disse. Ele olhou-me nos olhos e disse: « Olha, lembra-te que não tens o direito de viver uma vida estéril. » E é isto que eu gostaria de dizer a todos, a todos que estão aqui nesta sala. não tem o direito a viver uma vida estéril. Porque se Deus vos deu o ser como uma manifestação de um aspecto único da sua glória, não é simplesmente para passarem a vossa vida, hum, enfim, enfim, estarem simplesmente a olhar para vocês no espelho da casa de banho e orgulharem-se. Não, não. foi estes dons que vos foram dados devem que ser passados aos outros e constituir uma fonte de felicidade e de feidade para os outros. Portanto, este este mandamento, vivam e sejam fecundos, diz respeito não simplesmente aqueles que são chamados à vida matrimordal para serem pais e mais no sentido biológico, mas a todos nós, sejamos consagrados, sejamos vivamos h sozinhos e padres, religiosas ou o que seja, o nosso estado de vida, todos nós somos chamados a viver eh de uma maneira generativa. de uma maneira fecunda e passar a vida a outros. E eu diria que a dizer que isto é uma perceção que muda e eu falo simplesmente a minha própria experiência, mas são as mudanças nos diferentes nas diferentes fases de vida. E eu estou convencido pela minha própria experiência, para as pessoas com quem eu tive a graça de acompanhar por aquilo que eu tenho visto e tenho lido, enfim, enfim, já vivo neste mundo há 50 e tal anos e que cada ser humano e transporta em si um profundo desejo de dar vida, de produzir algo, de deixar algo dele para trás, ser uma fonte de bem. para outra pessoa, ser um dom para outros. Isto é verdade, porque ao fim e ao cabo é diso que se trata e está profundamente enraizado na estrutura da existência humana. E é extraordinário que nós possamos ter isto dito de uma maneira tão clara enquanto chamamento cristão. Eu penso que é verdadeiramente importante recordarmos desta, disto e também lembramos os outros sobre isto em tantas vozes nos dizem que não não o que a vida é que v cada um tem que se divertir. tens direito a fazer, a ter aquilo que queres, tens que te sentir bem contigo próprio, tens que estar uma hida sem problemas. Todos nós queremos estas coisas e são bons, mas são coisas boas, mas não são suficiente. E, portanto, este desejo do mais que eu pense neste momento é não tens o direito de viver uma vida estéril. E o desejo que tens de ser fecundo é um desejo autêntico que é chamado a pôr em prática cada um de nós eh nas nossos estado de vida e nas nossas diferentes vocações. Não, Eric. H também uma das coisas que me interessou muito no livro foi nas últimas páginas fala da castidade como um olhar de criança. Eh, aquele olhar que Jesus também pede aos seus discípulos e que relação existe e já que todos somos chamados a ser castos, há uma castidade no namoro, há uma castidade no casamento, há uma castidade na vida célebre. Todos nós somos chamados à castidade. Todos nós somos chamados a ter este olhar de criança. E já que hoje também recorda, a igreja recorda Nossa Senhora e de que modo é que também para um solatário e a figura feminina que não a temos no no sentido do casamento pode estar na nossa vida eh com a figura da igreja, neste caso também com a figura de Nossa Senhora. É uma dupla pergunta, se calhar fugiu um bocado, peço desculpa, mas respond como quiser. E isto, isto é uma grande questão teológica. Para além de ser uma questão humana, nós poderíamos passar aqui semanas e semanas a falar sobre isto. Portanto, como é que como é que eu consigo responder de uma maneira breve? diria que se nós respondamos e voltamos outra vez ao início do livro do Gênesis, e é aquilo que a igreja faz quando fala de Virgem Maria e porque a apresenta como uma nova Eva, [Música] a mulher que nos mostra de novo aquilo que a primeira mulher perdeu foi precisamente esta capacidade. de ver h sem medo, sem constrangimentos. E quando o Senhor e quando Deus criou o homem, Adão, e como sabem, a palavra Adame é retirada de uma palavra hebraica, chama-se Adamaiá, que quer dizer a terra, o a terra fecunda. Portanto, o Adam é a criatura que é retirada da terra fecunda. Portanto, Adão foi feita à imagem semelhança de Deus. está perante Deus e todas as todas as criaturas que já foram criadas, ele vê-os, ele dá-lhes nomes. Estas criaturas afirma a sua existência, mas isto não é suficiente. Ele está sozinho. Ele sente-se sozinho. E então e Deus diz: « Não é bom que o homem se sinta sozinho ». E então forma a Eva, retira de Adão, mostrando que e é uma questão que eu elaboro no livro que e que vem de uma intuição maravilhosa do poeta francês Paul Clodell, o facto de que, enfim, temos que ser muito claros, nós estamos a falar em termos de símbolos poéticos aqui, não é? Símbolos poéticos que não quer dizer que não sejam verdade, sim, mas têm que ser compreendidos em termos simbólicos. Claudel diz: « O facto de que Eva é retirada do Adão significa que no homem existia uma forma de mulher que estava à espera de se tornar explícita perante o homem. » E o que é interessante é que Eva está perante Adão. Adão acordo acorda do seu sono. Ele e grita de prazer e diz: « E eu estou a parafetizar e o e o hebraico ». Ele diz: « Uau, viva! aqui, finalmente, eh, aquilo que eu mais desejei e é este olhar h dele e o olhar dela que me vê como eu sou, que olha para mim, que me reconhece como eu sou, mas que é diferente de mim. E aquilo que a Bíblia nos diz é que é exatamente neste encontro com o outro com a alteridade, que é o modo como nós crescemos, que amadurecemos. E é assim que nós crescemos. E isto também é uma uns um chamamento e uma tarefa universal para todos nós, homens ou mulheres, crescermos dentro de nós, ou seja, posicionarmo-nos e perante o outro nesta prontidão de ver e de ser visto de tal maneira, de uma maneira que não seja cruel ou que não seja exploradora ou que seja mercenária, mas respeitosa e cheia de espanto. E isto é a última análise, é aquilo que representa o mistério mariano e aquilo que Virgem Maria nos ensina é ver. Eh, com certeza que vem isto nos nos portais de Natal. E se calhar já viram mesmo isto ao vivo. Uma pintura de Jot e uma um presépio nascimento de Jesus em que temos Maria olhando nos olhos do filho de Deus como fosse o homem e o arquétipo do homem e da mulher restaurados. pela pela primeira vez desde Adão e Eva em termos bíblicos, ou seja, um homem e a mulher olhando um para o outro sem aquele tal erro de programação de que falamos, com fascínio, com espanto e com alegria. E isto é disto basicamente que se trata. Muito obrigado, Dom Éric, pela sua exposição e por este livro. H, eu represento os casados, mas os casados jovens, ainda assim. H, e a minha primeira pergunta tem a ver com os casais jovens. Portanto, como é que hoje em dia muitos casais jovens hh nomeadamente aqueles que viveram uma conversão e querem viver plenamente a sua fé católica, vivem a intimidade e diria mesmo até a sexualidade de uma forma muito escrupulosa por causa dos erros cometidos no passado, eh os pecados contra a castidade que hoje em dia, enfim, de alguma forma estão muito na moda. são assaltados por memórias, por tentações, já estão casados e não se acham digno daquela mulher ou daquele marido. E de facto, nos últimos 20 anos, o problema da pornografia veio exacervar esta realidade, porque temos uma primeira geração em que, de forma transversal, há uma distorção de o olhar sobre o outro, aquilo que falava há pouco, de um olhar possessivo sobre o outro. A minha pergunta é de que forma é que, se possível também com algum conselho prático é que pode encorajar nós, os jovens casais a reeducar o nosso olhar para verdadeiramente amar aquela pessoa que acreditamos que nosso Senhor escolheu para nós. Hum, muito obrigada por esta pergunta e muito obrigada também por ter referido a questão da pornografia. porque é um elefante que está presente em tantas salas e que é um facto que causa luta e uma infelicidade e para tantas pessoas, para homens e para mulheres. E, e eu penso que é muito bom ser capaz de nomear isto e de de falar sobre isso e mais uma vez não deixar que e esta e que esta imaginação fique imprisionada na vergonha, mas perguntar, mas como é que eu posso sair? Como é que eu posso sair daqui? Porque uma dependência, uma dependência de conteúdos eh pornográficos, habitualmente conteúdos pornográficos digitais, pode representar uma um aprisionamento dos sentidos, um verdadeiro aprisionamento dos sentidos. E como diz, e há inúmeras pessoas hoje em dia que vivem com esta ferida. A coisa boa é que a ferida está agora a ser discutida e existem pedagogias, já existem pedagogias, existem estratégias concretas que nos permitem h nomear o problema, encontrar uma uma maneira de sair dela e propor, enfim, meios de ajudar as pessoas. Portanto, a primeira resposta à sua pergunta é se isto é um um um que é um aspecto da nossa própria história. Em primeiro lugar, nós temos que olhar para isto sem medo e romper com o medo e acreditar na possibilidade de que este olhar pode ser reconstituído, que a nossa imaginação pode ser liberta. Eh, e portanto é uma maneira de sair desta prisão. Isto é um processo eh que é um processo, a última análise de cura e peço desculpa por ter eh voltar a falar desta palavra sempre. É um processo de libertação. É uma palavra bíblica que é absolutamente fundamental. É uma palavra que São Paulo diz explicitamente nas na epístola aos Gálatas para a liberdade, Cristo libertou-nos. E uma das coisas verdadeiramente importantes em qualquer relação, seja uma amizade, seja uma aliança, eh, ou as relações numa comunidade religiosa ou numa relação matrimonial, o que é que me está a evitar a minha plena liberdade nesta relação e o que é que está a comprometer o meu olhar? e temos que lidar com isso. Portanto, pediu-me um conselho concreto. Este é o primeiro conselho, é perguntar-me o que é que está a comprometer a minha liberdade e como é que eu posso como é que eu posso libertar-me e estarmos e sermos determinados nesta tentativa de nos libertarmos e depois numa relação, num casamento, e treinarmos, eh, habituarmos a deixar cair as máscaras e e fazer com que o outro nos veja como nós verdadeiramente somos. Eu sei que eu sei que um casal enfim, um um casal na minha diocese também que teve mais ou menos tanto tempo casado como vocês estão e que falaram disto em público, portanto eu não estou aqui a trair a sua confiança, mas eles viveram os dois umas vidas muito complicadas e diziam que quando decidiram que iriam e de facto ser casal e e de facto e e ter uma vida em comum no futuro. por decidiram que iriam e passar uma semana juntos numa numa e cabina e numa casa na floresta e contavam contaram um a vida deles um um ao outro. Portanto, assumiram esse risco como se enfim, estavam a mostrar as suas feridas um ao outro, não com o propósito dizer: « Ah, coitado de mim, olhem isto que me aconteceu ». Não, mas revelar aquilo que verdadeiramente fazia parte da sua da sua história afetiva, da sua história existencial e dizer ao outro: « Isto faz parte daquilo que eu sou e gostaria muito que isto fosse também teu. Aceitas isto? Isto é uma maneira de nos treinarmos nesta h arte de ver e ser visto. E é um exercício não da honestidade, um exercício de sermos verdadeiros. É aqui onde nós vemos mais uma vez esta ligação entre o ver e reconhecer que tem por um lado, uma componente intelectual que tem a ver com a veracidade. Eu penso que é extraordinário. Eu não sei se isto funciona em português, em inglês nós e podemos estar a ler alguma coisa que nós não percebemos e depois de repente vemos percebemos e dizer: « Ah, ah, já veio, já vi, já vi o que isto é ». Portanto, ver também tem uma componente intelectual, ou seja, ver tem o seu a a componente efetiva e a componente relacional. A segunda pergunta que tem um pouco a ver com esta a história do casal e e do irem para a cabana e e tomarem essa decisão tem um pouco com isso. Logo no início do livro e já leiu a isso há há minutos, explica que castidade e celibato não são a mesma palavra, não é? Mas a o celibato é uma forma concreta de ver a castidade. E de facto creio que o tenha explicado porque paira no ar ainda a ideia de que a castidade é o celibato. E muitas pessoas quando se casam ou quando pensam em casar ou mesmo quando já estão casadas há muitos anos ainda não perceberam isso e não entendem a castidade como uma forma h como a realidade estrutural da sua vida. E a minha pergunta é: podemos explicar a castidade a um casal, não vivida só de forma individual, mas também vivida em casal? E foi por essa razão que eu escrevi o livro, acho eu. Eh, eu não estou aqui apenas para eh dizer isto ou para apenas o publicitar. Eh, porque na verdade se tem a ver com o que significa estar plenamente vivo, amar, ser amar, libertar-nos do medo ou significa ser-se inteiro. a também libertarmos da fragmentação, da experiência, o olhar fragmentado. E quando este fatores estão em cima da mesa, grande parte das pessoas dizem: « Bem, eu talvez não me importasse ser um pouco mais livre ou mais inteiro do que aquilo que sou. » E, portanto, para nos tornarmos livres ou inteiros, não é algo que possamos fazer dentro do armário, porque tanto a liberdade como eh os sermos inteiros desenvolvem-se precisamente da forma como coexistimos e interagimos com o outro. E assim regressamos à afirmação bíblica de que não é bom para o homem estar sozinho. Na verdade, todos nós nos tornamos aquilo que somos numa relação. Na relação. A questão é, será que me atrevo a tanto? E será que estou preparado? E se não estou preparado, como é que me posso preparar? É na verdade nesses termos que compreendemos a importância deste discurso e também eh entendemos o o a sabedoria acumulada de cristã de 2000 anos. Madalena e ao Dom Éric pelas pelas perguntas, pelas muito boas perguntas e pelas respostas. que vão abrindo mais campo, se calhar, para cada um, de mais perguntas e de mais inquietações. E, portanto, chegamos ao terceiro momento da nossa conversa e agora todos os convidados eh são vocês, é a audiência h para que possam fazer perguntas ao Dom Éric. Portanto, se alguém tem uma pergunta, levante o braço. Já vejo ali um braço. Dom Éric, sou Afonso, muito obrigado pelas suas palavras e por revê-lo. É uma alegria revê-lo aqui em Portugal. Eh, o Domake falou logo no início da importância de resgatar as palavras de prisões semânticas e fê-lo aqui neste livro em relação à castidade. A minha pergunta é se eh num esforço de nova evangelização h se esse esforço passará muito por um resgatar do velho significado de palavras. Falamos aqui de de pecado, mas também redenção, salvação. Se devemos buscar novos significados para os conselhos de sempre ou seos fazer um esforço de ir à procura dos significados de sempre. Obrigado. Boa pergunta. E parece-me que os dois estão relacionados. Cada época cultural era cultural. tem de expressar a sua esperança e a sua angústia e apresentar e pregar a palavra e recordando as sensibilidades dessa era e que de forma a responder às perguntas da era, em particular da era concreta, nós Enquanto católicos e especialmente nós padres e bispos, arriscamos-nos a passar muito tempo a apresentar investigas e respostas elegantes, muito profundamente investigadas a perguntas que ninguém coloca, que ninguém pergunta. Portanto, uma das nossas grandes tarefas é de ouvir as perguntas de agora e tentar responder a essas perguntas em palavras que sejam inteligíveis. Agora, eh, mas não quer dizer que devemos, eh, esquecer apenas e tudo o, ou ignorar tudo o que aconteceu antes. Olhamos para não só a história eh crista, a própria história civilcional da civilização ocidental, o renascimento. Falamos do renascimento, mas houve muitos renascimentos na história ocidental e quase todas estavam relacionadas com a momentos em que as pessoas releram eh recursos antigos, interagiram com elas, tentaram entendê-las e depois deixaram-nas ressoar no presente num diálogo. Portanto, eh, na verdade, todos podemos ganhar e até desfrutar de esta interação com textos clássicos, palavras de adáios antigos e perguntando-nos como é que nos falam hoje, primeiro entendendo-las e no seu tempo. e depois tenta deixando-los ressoar no tempo presente. Parece-me, isto pode, poderá ser apenas um pressentimento, mente, mas muito facilmente no nosso clima atual, cultural da nossa sociedade, que e se mexe tão rapidamente e de forma tão ansiosa, eh, dizem-nos que por aquilo que passamos agora e aquilo que nos está a condicionar as vidas hoje é tão diferente do passado e nada de tal forma que nada do que foi dito no passado nos pode ajudar agora, portanto, vamos ter que inventar a nossa própria linguagem, a nosso próprio e discurso de agora. Isto não me convence de todo. Dom Éric, muito obrigado. Eh, a minha pergunta é em relação no seu no seu livro, eu ainda não li este, mas li o anterior Romper a solidão, e vejo que fala muito da arte e da literatura eh porque lhe interessa. E e eu intuo que a uma das possibilidades de recuperar este olhar livre, este olhar humano, é através da arte e, em particular através da poesia. Ou seja, como se isso fosse uma uma forma de, digamos, de salvar também a nossa mentalidade para não para que a nossa mentalidade não se transforme com os nossos erros, as nossas quedas, mas sal mantê-la sempre eh em direç em direção ao ideal, a um ideal maior. Portanto, a minha a minha pergunta é se se a arte realmente pode ter este papel, em particular a poesia, e e como distinguir entre a nossa mentre a nossa fragilidade natural, quer dizer, somos frágeis, caímos, pecamos e a e a nossa mentalidade tornar-se condicionada pelas circunstâncias em que vivemos. O que é poesia? É uma construção de linguagem e dependente das regras de diferentes épocas, segue regras diferentes, mas acima de tudo poesia é uma afirmação. E a a grande poesia de mais alto nível é uma afirmação única de uma experiência, de uma apreciação, de uma realidade que nos permite, enquanto leitores desse poema, eh, eh, senti e ver de novo, eh, deixar cair os escudos que nos cegava. E, por exemplo, se lermos um poema sobre uma maçã, vamos pensar: « Bem, eu nunca tinha olhado para uma maçã dessa forma. A poesia e qualquer afirmação artística, literatura, arte, a escultura, a música tem essa capacidade de nos confrontar e permitir ir ao encontro de uma verdade profunda e cognitiva. E por isso a interação com a arte, a meu ver, como, a a expressão mais profunda e precisa da humanidade é e uma excelente forma de nos crescermos em sabedoria e de autoconhecimento. E também em termos de interagir com a minha própria fragilidade, pode ajudar muito encontrar uma afirmação num filme, num poema, num livro, num diário em que um eh pensamos, eu pensava que eu era o único que não tinha compreendido isto, que eu não conseguia entender. Isto lembram-me quando eu fui era no no vice no no Mosteiro e comecei a ler as literaturas do e padres do desé deserto e ali exertos como as filosofias de casa e fiquei espantado. pensava como é que esta pessoa que viveu há eh 15 anos num contexto completamente diferente do meu consegue fazer uma descrição tão com tanta precisão cirúrgica dos meus conflitos, das minhas batalhas. E encontramos isso na literatura, na poesia, onde encontramos uma fonte de a assistência ao crescimento e também e desafios e possivelmente até grande consolo. Ainda temos tempo para mais pergunta. Boa, Dom Eric. hh eu tava agora a folhar um bocadinho o seu livro e tava a ver o índice, hh e reparei que há que há um capítulo que que pronto que tem a ver com e pronto, a vida contemplativa. E eu acho que é isso que também atrai muito esta conferência, porque nós constantemente, graças a Deus, somos bombardeados hoje em dia com a, ou seja, com conferências de castidade de de patos seculares, de casais, de consagrados, de de tudo mais alguma coisa, mas ter um pronto, uma pessoa eh que vive a vida monástica é uma coisa que é super interessante, pronto, ver a castidade dessa forma. E, portanto, a minha pergunta era como é que eh você se podia dar alguma amostra de como é que a vida monástica informa a sua visão da virtude da castidade. Vida monástica e pressupõe um compromisso e celibatário. Claro que há todo um período de provação. quando se entra no ou antes de entrar no mosteiro. Mas a vida que me é proposta é uma vida [Música] um é uma vida em que nunca me permitirá olhar para outra pessoa e dizer: « Eu sou teu, tu és minha ». Portanto, o estado eh celibatário é a escolha livre, não só a aceitação, mas escolha livre de uma solidá muito específica. Eh, portanto, isso condiciona a minha própria experiência, porque quando entramos nessa solidão, tal como entramos numa solidão física, eh, por exemplo, o deserto, o deserto nas escrituras, quando entramos nessa solidão, eh, enfrentamos e diferentes realita tá? As realidades de da imansciidão do céu e a nossa pecanez e eh enfrentamos-nos profundamente. E a vida monástica o que nos ensina é que eh retiramos-nos de um mundo onde acumulamos muitos aspectos significativos. a forma como nos vestimos, a música que ouvemos, as andotas que contamos, o tipo de literatura que lemos, a forma como dizemos às pessoas: « E assim sou eu? » ou « É assim que eu gostaria que me que me visses »? Mas quando entramos no mosteiro, recebemos estas roupas eh iguais para toda a gente, portanto é menos uma preocupação. Eh, o nosso cabelo é é rapado e, portanto, eh, ficamos e eh só connosco próprios e, portanto, temos que enfrentar aquilo que temos dentro de nós. Portanto, a solidá monástica tem a e é um certo grau de silêncio que é marca e, portanto, não temos Spotify, nem Netflix e coisas que possamos ouvir ou ver e não estamos com constantemente bombardeados por impressões. sensoriais e durante 5 minutos, isso é excelente. Pensamos finalmente que bom, que relaxante. Mas passados esses 5 minutos, percebemos o tipo de filme interno que transportamos e damos-nos conta dos das marcas deixadas por aquilo que vimos, principalmente aquilo que vemos, porque o olhar é uma impressão muito poderosa. Foi algo que eu descobri muito na verdade no mosteiro. Percebia-me que eu trazia comigo a memória. Eu sempre gostava eh gostei muito de ver e cinema e tinha visto muitos filmes e nem todos muito bons. E, portanto, eu trazia em mim a memória de cenas violentas ou apaixonadas que até podiam ser uma sequência apenas passageira de um filme, mas que me tinham marcado e que, de certa forma tinham condicionado ou mesmo contaminado o meu olhar. Portanto, o meu próprio olhar não era por perceber-me disso. Portanto, a vida monástica ensinou-me, antes de mais, a suportar e a bagagem, a minha própria bagagem e viver e aceitar as consequências de escolhas que tinha feito. Ajudava-me até obrigava-me a encarar-me tal como eu sou, eh, com aquilo que eu trago comigo. E a vida monástica insiste muito nisto. A a fundação indispensável para uma vida espiritual de oração é o autoconhecimento. Eh, portanto, isto tem uma certa e intensidade significativa na solidão monástica, que ao mesmo tempo é uma vida de coletividade intensa, porque na verdade não somos o único monstro no mosteiro. Existem outras pessoas ali à nossa volta que eh não escolhemos e eh talvez até não tínhamos muito em comum e mas com os quais temos eh partilhamos esta convicção de um chamamento divino. Portanto, esta experiência complementar de radicalmente eh só eh mas ao mesmo tempo rodeado de outras pessoas e ter que lidar com essas pessoas e tolerá-las, mas também que construir uma comunidade de caridade com elas. eh mas também eh nos enfrenta eh nos obriga a enfrentar aspectos não castos como o rancor, a inveja, a impaciência eh o egoísmo. E temos que lidar com esses sentimentos. E antes de mais, tentar perceber, bem, eu se calhar não sou tão virtuoso como achava que era ou que eu gostaria que as outras pessoas achassessem que eu sou. Portanto, enfrentarmos com os nossos conflitos, com as nossas contradições, h, e, e deixar que tudo o que não está tão ordenado em mim ordenar-se e organizar-se. [Música] os pais de e nos pais de cito, os tem um canto que diz e o Deus Deus e trouxe amor e ordem a mim, mas na verdade existe muito amor e desordenado e em mim. Portanto, ou o medo ou receio, eh a possessão, etc. A dinâmica fundamental eh na verdade tudo isto também está presente na eh vida de casados. Dois amigos meus casaram-se praticamente na mesma altura em que eu entrei no mosteiro e vinham-me visitar uma vez por ano e tínhamos conversas muito interessantes em que percebíamos que nas nossas duas vidas muito diferentes e eu eh num mosteiro contempletivo e eles no na vida da universidade e primeiros anos de casamento e à espera do primeiro filho, enfrentávamos os mesmos desafios de nos libertarmos do egoísmo, de me abrir para o outro e de exercitar e de eh da autoentrega e de nos ver e deixar ver sem medos. Thank you. Chegamos ao fim da Obrigada pelas perguntas. Chegamos ao fim da conversa. Eh, que boa conversa que foi. Eh, penso que saímos todos hoje daqui com este convite do Dom Éric a olhar a castidade como um caminho de transformação para todos, eh, com todos os estados de vida, com todas as nossas histórias. Um caminho de transformação que nos permite realmente vermo-nos, vermos o outro e vermos Deus. hh partindo sempre desta relação primeira com Deus que nos devolve a verdadeira vista, por assim dizer, agradecemos eh muito a todos a presença. Agradeço à Pastoral Universitária, à Universidade Católica, à Capelania da Universidade, à editora Lucerna que nos traz h este livro agora em português. A todos os que ficaram durante esta hora e meia aqui a ouvir o Dom Éric e os nossos convidados, aos que fizeram perguntas, aos participantes do painel, à Joana pelo seu trabalho de de tradução deste deste livro, à Madalena, ao Afonso e ao Vasco. E finalmente uma palavra de agradecimento também muito especial ao Dom Eric. Bishop Eric, thank you so much for yourity, for your reflections, for your work and for your testimony because it was very nice to end with that note we we need testimonies need joyful testimonies in the church ones that give us the strength to continue our own journeys. So thank you. Thank you very much. I think in this room today we also experience what church is with all diversity different people different states of life stories it was wonderful end of this day and we wish that the rest of the days here in Portugal treat you very well and maybe inspire new reflection so thank you so much in the name of all of I’d also just like to to say thank you all of you for coming here. I I am touched that you should have come and stayed and I just want to say as a word of leave taking remember that you’re called to be happy and you’re called to be free. And as Father Sebastian told me, you just haven’t got the right to live a sterile life and youve got life to give. Thank you. [Música] .

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Déroulement de la vidéo:

0.12 Muito boa tarde a todos. Bem-vindos a esta nossa conversa e com o título Há
7.319 lugar para a castidade de hoje, a reconciliação dos sentidos. Eh, o meu
12.92 nome é Rita Sacramento Monteiro, sou aluna de doutoramento aqui da universidade, estou a fazer o
18.56 doutoramento em ecologia integral. vou estar a conduzir eh esta conversa hh que
25.64 vai ser conduzida em português e em inglês. Para aqueles que precisam de interpretação, penso que já está já está
32.239 disponível. Portanto, podem ir acompanhando eh a conversa e nós vamos falando em português e em inglês. O que
39.239 nos traz hoje aqui é o mais recente livro do Bishop Eric Warden, que é este
45.079 livro intitulado precisamente Castidade, a reconciliação dos sentidos, publicado
51.76 este mês em Portugal pela editora Lucerna, está à venda aqui à saída do do
57.199 auditório. E é uma grande oportunidade podermos ter hoje aqui em presença o seu
63.44 o seu autor. H por isso, deixem-me dar as boas-vindas em primeiro lugar perante
69.92 este painel. Deixem-me dar as boas-vindas em primeiro lugar ao Bishop Eric. Welcome. It’s a pleasure to here.
76.4 H. Bem-vindo. É um grande prazer tê-lo aqui. Estamos muito satisfeitos por lhe dar as boas-vindas em Lisboa e aqui na
82.4 nossa universidade. Bem-vindo. H, esta conversa terá momentos. Num primeiro momento, a Joana Viana Lopes,
90.68 que está aqui ao meu lado esquerdo, ajudar-nos a a compreender os principais
96.479 temas deste livro numa conversa, num diálogo com o Bishop Errick, através de algumas de algumas questões. E depois a
104.68 seguir a esta conversa juntam-se a nós a três convidados que a partir da sua
110.439 própria experiência e do seu estado de vida irão também colocar uma pergunta ao
116.28 Bishop Eric. H, no final da conversa de ouvirmos este
121.479 painel e o Bishop Eric, vamos ter naturalmente um tempo para também poderem colocar eh as vossas perguntas e
128.959 poderão colocar as perguntas em português. Assim, sem mais demoras e porque pode
135.56 haver aqui algumas pessoas que ainda não conheçam eh bem o Bishop Perck, permitam-me eh ler uma pequena
143.08 biografia. O Dom Eric Varda nasceu na Noruega em 1974
149.44 e cresceu numa família protestante não praticante. A sua conversão ao catolicismo começou
156.84 aos 16 anos após uma experiência espiritual marcante ao ouvir a segunda
163.44 sinfonia de Maler, que eu também ouvi para me inspirar para esta conversa. E
169.04 esta sinfonia, eu não sabia, é conhecida como a sinfonia da ressurreição.
175.0 Entrou na vida monástica em 2002, foi ordenado padre em 2011 e mais tarde
181.879 tornou-se abade da abadia de Mount Saint Bernard em Inglaterra.
187.159 Em 2019, o Papa Francisco nomeou o bispo e prelado de Trondim, uma cidade na
193.68 Noruega que já foi capital, dizia-me há pouco o Bishop Eric. com formação académica em Cambridge,
200.319 Paris e Roma é hoje uma referência na espiritualidade cristã e contemporânea.
205.599 Desde o ano passado presida a conferência episcopal nórdica e é membro
211.519 do dicastério para o clero. Bishop Eric,
218.159 senhor bispo, é uma breve apresentação. Imagino que muitas outras coisas podiam dizer a seu respeito, mas visto que nós
224.04 estamos aqui numa universidade e que temos tantos estudantes aqui, eu gostaria também de lhe perguntar quando
230.04 pensa e nos seus tempos de faculdade, o que é que gostou mais, o que é que o
235.959 marcou mais durante estes dias? Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer imenso por estarem aqui e, enfim, deram
243.799 só o trabalho de vir aqui. É uma grande alegria por estar aqui convosco. E e eu
250.0 tive uma grande sorte de estar muito tempo na universidade. Fiquei lá durante
256.32 10 anos. Houve muitas alegrias. Em primeiro lugar, esta alegria, a simples
262.52 alegria de aprender e de descobrir uma clareza de pensamento, a beleza,
269.32 hum, do raciocínio, a grande riqueza da tradição intelectual e depois em
276.44 conversas com outros e de outras de outras disciplinas.
282.52 E e é ex é ótimo, assim como acontece aqui na Católica, ter um campus onde existem muitas faculdades.
289.4 Claro que não estão de facto no mesmo edifício, mas estão de facto sob o mesmo céu, enfim, e no mesmo campus para que
299.0 as conversas possam ter lugar entre as áreas do saber. e diria que as amizades,
305.199 eu penso que todos tiveram esta experiência, que o tempo na universidade, o tempo na
311.4 faculdade é um tempo excelente para fazer amizades e e falo por mim, alguma das amizades e que foram bastantes que
319.199 eu fiz durante os meus tempos de universidade e definiram a minha existência hum até aos dias de hoje. E
327.68 finalmente os meus tempos na universidade foram de facto um tempo de aprofundamento da fé. Isto também e
336.479 fazer parte de uma comunidade intelectual, que também pode ser uma comunidade de fé, em que se podia rezar
345.12 em conjunto e ter conversas sobre sobre a fé e com alguma profundidade e isto
353.12 foi um grande alimento e continua também a ser um alimento até aos dias de hoje.
359.44 Muito obrigada. De certa maneira, nós estamos aqui hoje também para estarmos em relação em para
366.72 aprendermos e para partilharmos à volta deste tópico da castidade e desta virtude.
373.0 E portanto agora eu vou dar a palavra à Joana para que ela vos possa fazer algumas perguntas sobre o seu livro. Vou
380.12 apresentar eh para todos os presentes. Já perceberam que foi ela que que
385.36 traduziu os dois livros do Dom É Eric Varden. A Joana Viana Lopes eh traduziu primeiro o livro Romper a Solidão, que
392.759 alguns aqui já terão lido. Eh, e o mais recente e que inspira esta conversa e que se chama então Castidade, a
399.4 reconciliação dos sentidos. A Joana é teóloga, é membro ativo das comunidades
404.919 de vida cristã, é casada e é mãe de quatro filhos. Joana, muito obrigada
410.72 pela tua presença e pelo trabalho de tradução e passo-te a palavra.
421.56 Aqui estamos. Eu estou muitíssimo satisfeita por estar aqui eh consigo e
426.8 para mim é uma grande gratidão, uma grande eh alegria estar aqui h consiga a
433.8 falar de frente a frente h para um livro que me ocupou tantas tantas horas da
440.56 minha vida, um bocadinho lutar com as palavras para que isto fosse um bom retrato do seu sentido. É um grande
447.24 prazer falar sobre a ccidade consigo. muito obrigada por estar connosco.
452.8 Souz eh
459.28 h tenho estado muito comprometida com as suas palavras e o seu pensamento e com
465.759 esta h atividade de o tornar acessível eh aos portugueses. Mas é incrível como
474.599 ainda na semana passada, ao reler tudo, tomei consciência de que as palavras
479.879 carregam consigo uma frescura que me toca profundamente. Tive e inspirações
487.159 novas que não tinha tido na altura em que o traduzi. Por isso, isto fala muito da fecundidade que está neste livro.
494.4 fala muito sobre ser um livro que é para todos, que falará a verdade de cada um e
499.919 que a partir daí cada um poderá fazer o seu caminho. E é também seguramente um livro que valerá a pena voltar mais
506.84 tarde noutro tempo, porque ele terá eh mais coisas a nos dizer sobre a castidade e sobre a forma como podemos
514.56 orientar a nossa vida eh para Deus. O livro eh tem muitas eh camadas e é
522.56 notável nesta sua riqueza e nesta sua frescura que nos traz enquanto
529.519 amadurecemos, não é? está enraizado nas profundezas da nossa da nossa
534.6 humanidade, por isso tem eh o poder de abrir os nossos olhos, o nosso coração e
540.399 a nossa mente para uma forma de ser renovada, para uma nova forma de nos
547.839 relacionarmos com os outros e com Deus, uma forma mais viva e por isso também
552.88 mais fecunda. Então, espero que a nossa conversa hoje aqui possa abrir o caminho
559.36 de todos os que estão aqui, que mais tarde vão ouvir esta nossa sessão e,
564.839 claro, daqueles todos aqueles que lerão o livro eh mais tarde. Começo com as
570.56 suas próprias palavras. Com este livro, espero libertar a
576.44 castidade de um aprisionamento em categorias demasiado estreitas,
582.04 permitindo que ela se expanda, estique os membros, respire livremente, cante
588.72 até talvez. Dada a complexidade e a longa história
593.839 deste termo, acho que preciso que nos situe, explique-nos o que é afinal a
599.079 castidade.
606.36 Bem, de certas maneiras, eu li este livro para descobrir, escrevi o livro para descobrir isso
612.0 mesmo. E eu tinha com muitas pessoas, costumava
617.12 ter uma ideia, uma compreensão muito negativa do que é castidade.
622.519 Era uma palavra que me enchia de algum nervosismo e de alguma tensão.
630.24 E eu pensei e eu pensava sobre a castidade em termos de negação. pensava h sobre a negação de
639.12 sexo em termos de não fazer, não pensar sobre não ser alguma coisa, e obviamente
646.72 com o propósito de uma virtude, mas pensava em termos da da mortificação, em
651.76 termos de matar alguma coisa. Enquanto jovem na universidade,
658.079 eh, sabem que eu estava já pensava sobre uma vida religiosa. Eu comecei a discernir a uma vida monástica. uma
665.399 vocação que se tornou cada vez mais clara. Portanto, eu estava a tentar viver de uma maneira casta. Eu nem sempre achei que fosse fácil. E eu
674.04 fiquei sendo todas as contradições que viviam dentro de mim, na minha mente, no
679.24 meu corpo, na minha carne. E por isso mesmo, a castidade
685.2 representava para mim uma luta.
690.36 E por isso, e foi de facto um desafio muito interessante.
696.24 Quando eu entrei no mesteiro, eu sou um mongeciente.
702.04 Nós vivemos seguindo a regra de São Bente. Um uma regra do século V é muito
709.88 concisa. A regra é só essência. E o que o São Bento diz sobre a castidade é
716.36 muito firme e muito concentrado. Ele resume isto em duas palavras.
722.279 Quando no quarto capítulo da regra, ele afirma
727.519 amar, amem a castidade. E eu pensei, mas o que é que isto significa?
734.199 E eu via a castidade como de certa maneira ser algo de admirável, de
739.24 heróica, mas eu não sei o que é que nós poderíamos gostar ou amar na castidade. Portanto, eu pensei, bem, deve haver
745.6 aqui alguma coisa que eu não percebi, que me falha e visto que eu ia começar a
752.6 viver h seguindo esta regra pelo resto da minha vida. Portanto, seria, enfim,
757.68 seria importante tentar pelo menos perceber o que é que isto quer dizer. E enfim, eu sou um bocadinho nerd.
764.92 Eu sentei-me com dicionários e e eu pensei, mas deve haver aqui alguma coisa
772.199 nesta castidade mais do que aquilo que as minhas associações me sugerem?
778.639 E isto em parênteses, bem, isto é um exercício que eu gostaria muito de recomendar em vários contextos, porque
786.199 muito facilmente as palavras podem ser cair em armadilhas h devido a uma
793.04 interpretação que já foi feita pela nossa tradição ou podem ser instrumentalizadas para um determinado propósito e nós esquecemos qual é o seu
799.88 verdadeiro significado. Portanto, salvar as palavras das prisões semânticas é uma
806.079 tarefa que vale muito a pena. Portanto, sentei-me sentei-me com um dicionário de
812.88 latim etemiológico e olhei para a utilização de castidade na literatura em
820.04 latim. E eu comecei aqui a encontrar coisas muito interessantes porque eu descobri que na antiguidade,
826.959 na altura do Cissu e eh no final da antiguidade, nos tempos
834.079 de São Bento, o termo castitass
840.24 casto e castidade eram utilizados de um modo que não dizia primordialmente a ver
846.48 com a sexualidade ou com a moralidade sexual.
852.48 E no latim da antiguidade, castitas, castus poderia ser utilizado como um
859.079 sinónimo de impenger, ou seja, todo inteiro.
866.72 Portanto, ser casto, hum, nesta interpretação seria aspirar a viver com
873.199 integridade. E é aqui que começa a entrar o tema da reconciliação.
879.72 Alcançar a castidade é tentarmos viver de tal maneira que as nossas diferentes faculdades, os nossos diferentes
886.12 apetites, desejos e inspirações que constituem o meu ser possam e estar em
894.44 confluência, como por exemplo diferentes vozes num corfónico, para dar origem a um som único, um som
902.24 lindo, um som prazeroso.
908.92 E então pensei que a castidade pode ser algo que pode ser amado. Quem entre nós
915.639 não gostaria de viver com integridade? Quem entre nós não gostaria de aparecer
921.68 perante os outros como um homem ou mulher íntegro?
927.279 E isto diz respeito a alguma coisa que também que é um tema profundamente bíblico, que é a reunificação do
935.04 coração, que é um tema que encontramos nos Salmos.
941.72 Deus unifica o meu coração, torna o meu coração uno. E também é um tema que
947.44 remonta h à primeira história vocacional da da Bíblia de Abraão, que como bem se
952.759 recordam, e passa por muitas fases diferentes. Quando Abraão tem 99 anos,
962.68 ele recebeu uma uma revelação privilegiada do Senhor, uma renovação
968.44 h do seu
975.759 do da sua aliança. diz eh Abraão quando c
982.48 ser perfeito, ou seja, caminha na minha frente e ser muito, muito, muito, muito bom. E o que a palavra hebraica
989.48 significa é eh caminha à minha frente e se inteiro. Portanto, isto é basicamente
996.6 o chamamento que é feito a cada um de nós. H andar perante o Senhor, e andar
1002.36 perante a humanidade e ser íntegro, inteiro. E é uma maneira de superar a
1008.36 fragmentação de que até um certo ponto limita a nossa existência e através e
1013.92 com a graça de Deus e através da utilização das nossas faculdades naturais de aspirar à santidade e
1020.319 alcançar a santidade. E nestes termos ocorreu-me que este tema da castidade
1027.76 não simplesmente é algo de muito interessante, mas é uma palavra extremamente útil no mundo como o nosso,
1034.919 em que não estamos tão conscientes de fragmentação a todos os níveis
1040.88 em termos da nossa própria experiência, em termos políticos, em termos culturais
1046.039 e a razão pela qual também eu tentei eh apresentar esta noção e a realidade da
1051.52 castidade não simplesmente enquanto
1056.559 uma educação eficaz, uma educação moral, mas uma lição naquilo que significa ser
1062.76 um ser humano, ser um ser humano inteiro e viver uma vida fecunda.
1068.24 Parece-me que é muito importante para percebermos o que é que é ser casto, perceber que partimos da visão do que é
1075.559 que é ser homem, a visão bíblica do que é que é ser homem. Porque para mim houve uma frase h lapidar na primeira vez que
1084.88 li, que quase que virou a minha realidade ao contrário, ou na verdade
1090.039 percebi que estava eu a andar virada ao contrário. A frase diz assim: « Em termos existenciais, na verdade não sabemos o
1097.96 que é natural para nós, por isso lutamos para viver naturalmente. » Não é? Esta
1103.799 afirmação configura o nosso ponto de partida verdadeiro e justo, mas não é
1110.0 assim que normalmente olhamos para nós próprios. Por isso é muito interessante
1115.2 que num segundo capítulo exponha toda a visão do que é o ser humano bíblico h
1121.48 para nos colocar no ponto de partida certo? Pode nos explicar um bocadinho?
1133.88 Bem, mais uma vez é algo que eu elaborei porque me interessa e para mim
1139.559 representou um desafio. E a questão de aquilo que é e aquilo que não é ser
1145.76 natural é uma questão muito importante. Sabem que pode acontecer que, por exemplo, estamos vamos fazer um ex um
1152.52 exame ou vamos ter, de facto um painel em que temos que ter uma uma tese e estamos muito nervosos e os os vossos
1158.36 amigos querem animar-vos. Ah, não se preocupe. Olha, ser natural, simplesmente ser natural, como se fosse fácil.
1165.28 Ser natural é de facto extremamente difícil, porque na maior parte das vezes
1173.039 sabem que nós temos aqui na nossa mochila ou na nossa bagagem temos uma
1178.799 multiplicidade de máscaras que colocamos para ocasiões diferentes. Nós, inclusivamente, podemos ter vozes
1183.96 diferentes que utilizamos em ocasiões diferentes. Podemos ter diferentes assinaturas, inclusivamente virtualmente
1189.64 podemos ter identidades diferentes que utilizamos para propósitos diferentes. Portanto, isto é um aspecto desta
1196.6 aspiração a ser natural que penso vale muito a pena pensar sobre isto e também conceptualizar para ficarmos muito
1203.039 claros sobre aquilo que significa. Mas do ponto de vista cristão e bíblico, a
1208.96 questão que se coloca ainda tem mais urgência, porque a Bíblia apresenta-os
1215.84 como a visão da natureza humana que eu que eu tentei elaborar no livro.
1222.6 E é por isso é que o primeiro capítulo se chama O que é ser um ser humano e tenta interpretar a narrativa da
1229.84 criação. Quando nós olhamos e para os primeiros capítulos do Gênesis, nós
1236.36 recordamos-nos dos sete dias da criação e também da maçã e da cobra e depois a
1242.84 expulsão do paraíso. aquilo que nós com facilidade nos esquecemos particularmente, enfim, nesta
1250.799 tradição ocidental cristã, porque nós ficamos muito fixados na queda, é que
1256.2 existe um estado original da humanidade que antecede a queda. Quando o homem e a
1262.2 mulher estão perante Deus numa liberdade perfeita,
1269.44 numa relação h perfeitamente natural, olhando para
1274.76 Deus com amigo, exatamente castos e íntegros, sem medo de Deus, sem medo um
1282.08 do outro. Mas o que acontece como resultado
1287.32 imediato daquele evento que nós habitualmente chamamos a queda, que foi uma quebra de confiança em que o ser
1294.48 humano eh violou o único mandamento que existia no
1302.08 paraíso e fez aquela coisa, a única coisa que não poderia fazer. E e disseram para não fazer, Deus disse
1310.6 isso para não fazer para o próprio bem deles. E de facto não
1315.72 como a maçã, não como o fruto, mas de facto a curiosidade venceuos. E o que é que aconteceu como
1322.24 resultado desta quebra de confiança? Tudo o que existia antes e aquilo que
1327.36 estava claro anteriormente tornou-se confuso. E quando anteriormente havia
1333.52 uma abertura, falta de medo, um encontro, uma liberdade de olhar para os
1339.039 outros, o olhos nos olhos, de repente aparece o medo, a ansiedade e a
1344.84 perplexidade. O homem esconde-se de Deus e o homem e a mulher escondem-se um do
1350.559 outro. E enquanto anteriormente eles tinham uma bússola muito clara que os apontava para uma feidade e uma
1360.44 felicidade e agora sentem-se muito incertos e muito confusos. E isto é última análise e é aquilo que é o
1366.32 pecado. É isto que o pecado significa. Nós temos uma
1371.44 tendência na nossa tradição ocidental cristã pensar
1376.52 pensar nós que somos pregadores da fé e temos que assumir alguma responsabilidade por isto, nós habitualmente apresentamos o pecado
1383.4 primordialmente em termos de transgressão e de culpa. E existe,
1388.44 existe este elemento também no pecado, mas fundamentalmente o pecado tem a ver
1393.48 com a desorientação.
1399.2 E também é útil h percebermos este termo. Se nós
1406.159 analisarmos de facto o a palavra helénica
1411.2 no Novo Testamento para pecado não era utilizado na educação moral, mas sim no
1417.64 desporto. Tinha a ver com lançamento do dardo ou at a triar e com o arco.
1425.919 Portanto, o termo armataro e com o verbo armatia, que no Novo Testamento é
1432.36 traduzido como pecado. A antiguidade helénica significa falhar
1438.279 o alvo, não conseguir
1443.44 alcançar o alvo, ou seja, também seguir o caminho errado, a estrada errada,
1450.12 estar num sítio onde não tinham, onde não tínhamos intenção de ir. Portanto, aquilo que o pecado significa em termos
1456.76 bíblicos é como viver com GPS que tem um erro na programação e
1464.2 que temos de facto um sítio onde nós queremos chegar e simplesmente este o GPS não nos leva lá porque o GPS está
1470.679 confuso, está desorientado e temos uma bússola desmagnetizada.
1476.039 Portanto, para reaprendermos a viver naturalmente é viver em termos desta
1481.76 promessa, desta bem-aventurança inicial e desta liberdade.
1487.559 E vivermos nesta esperança e na confiança de que pode ser restaurada
1492.76 este ser original, é como voltar a magnetizar
1499.0 a bússola. Portanto, é por isto é que este curso, este percurso no sobre o que é natural é muito importante, porque com
1504.52 facilidade hoje em dia dizemos: « Ah, isto é natural para mim porque é aquilo que eu que eu acho ou que eu sinto ou
1510.52 porque é isto que eu me sinto atraído a fazer ou porque isto é uma coisa que eu estou habituada a fazer ». Mas será que
1516.6 corresponde de facto com os meus desejos mais profundos? eh mesmo isso e pela
1524.039 liberdade, eh seguindo neste caminho que todos somos chamados a fazer eh para atingir
1530.96 uma vida casta, eh ao longo do livro hh é assim muito saboroso como vai deixando
1538.88 eh sinais da misericórdia amorosa de Cristo por toda a parte, não é? Vou
1545.799 mencionar algumas. Cristo não foge das nossas contradições,
1551.24 não se surpreende com a nossa desordem, por mais miserável que ela seja.
1557.559 Nada no homem permanece sem redenção.
1563.0 Depois de ler todo este livro, de ver este caminho que tenho pela frente, fica-me a pergunta: porque é que é tão
1570.2 difícil deixar que esta força vivificante, a misericórdia, a
1575.279 misericórdia amorosa de Deus se torna fonte da nossa própria vida?
1590.679 tem nos remete mais uma vez para aquele erro da programação e esta necessidade de recarregar o GPS,
1599.96 porque para a maior parte de nós é extremamente difícil e acreditarmos
1607.64 que alguém que me consiga ver sobre aquilo que eu verdadeiramente que
1613.12 conheça toda a minha história, ver a minha vida
1620.48 como um livro aberto à sua frente e ainda assim amar-me. É mesmo difícil acreditar que alguém me possa ver como
1628.44 eu verdadeiramente sou e mesmo assim e só simplesmente aguentar-me. E eu penso
1633.52 que com grande facilidade enquanto seres humanos, como seres humanos feridos, nós partimos do princípio que se alguém me
1640.08 visse como eu verdadeiramente sou e que alguém soubesse aquilo que está verdadeiramente no meu coração, se alguém soubesse aquilo que eu fiz, iriam
1648.399 pôr milhas, iam fechar a porta na minha cara e nunca me queriam ver outra vez.
1654.84 Ora, isto é o pecado, é este é a confusão e é isto é uma mentira.
1663.32 E aquilo que a narrativa bíblica confirma desde o início até ao final. E
1668.44 aquilo que a vida e o exemplo de Cristo
1674.039 provam, é que Deus que nos criou, que é omnisciente, que nos vê, que nos conhece
1681.559 melhor do que nós nos conhecemos a nós próprios, como Santo Agostinho. Santo Agostinho gostaria e costumava dizer,
1688.76 não simplesmente não foge de nós, não, mas afirma que nós somos amados e que
1694.84 somos amáveis, dignos de amor e que nos envia este convite para nós tornarm-nos
1702.519 aquilo que nós temos aos seus olhos, o potencial de nos tornarmos. Isto é que é
1708.159 lindo. É de facto uma eh é uma e isto é uma
1714.679 oração maravilhosa. Eh, Senhor, faz-me belo e que eu eh
1722.44 cumpre a tua promessa em mim, cumpro o meu potencial. Ajuda-me a cumprir o meu
1728.12 potencial. O que nós temos que fazer para nos curar h desta, deste
1733.76 apontamento é voltarmos frequentemente a estas promessas bíblicas ou os
1739.12 ensinamentos de Cristo. E simplesmente, particularmente quando estamos vulneráveis, mas sempre com muita
1744.159 determinação e particularmente quando nós nos apetece fecharmos em nós próprios e
1749.36 fugir e estar desanimados. Não dar ao inimigo da humanidade
1755.88 o que oi ou bem, o inimigo de Deus, a satisfação
1762.159 de que nós eh fiquemos fechados no nosso próprio na
1767.84 nossa própria vergonha, mas que nós possamos ter confiança no
1773.799 amor de Deus e na nossa possibilidade de responder ao seu amor. Podemos continuar
1779.159 esta conversa. Gostava muito. Hum, aqui como epígrafe do do livro lemos o
1789.279 Biamor e Bió Oculus. That’s right.
1794.84 Hum. Num livro que se chama Castidade, a reconciliação dos sentidos. No início eu
1801.399 pensei bem, não sei exatamente o que é que isto quer dizer neste momento. Em
1806.96 português significa onde há amores, aí haverá um olho que vê.
1813.399 E é incrível como em quatro palavras nós temos o âmago deste livro, uma síntese
1821.96 que não está, eu acho que muito daqui se vê hidado que o Dom Éric põe em tudo
1829.0 aquilo que faz. Aqui está o âmago, mas não de forma transparente e escancarada,
1835.24 está como que de uma forma velada. Por isso, como última pergunta, queria
1840.48 queria perguntar: « O biamor e bióculos é um ponto de partida, um ponto de chegada
1848.399 ou um ponto de luz?
1866.799 É de facto uma situação maximalista, mas é um tema que é recorrente, que é
1873.44 recorrente na escritura e na tradição cristã. Está muito associada com aquilo
1878.72 que nós acabamos de de dizer. Como sabe, uma das coisas que muitas
1885.08 vezes que eh complica as relações humanas é que ou nos esquecem-nos do olhar dos outros, eh, enfim, colocando
1892.799 os nossos as nossas máscaras e ou rece e
1897.919 fugimos, ou, inclusivamente, o facto de que a nossa própria maneira de olhar para os outros muitas vezes não é uma
1904.72 maneira inocente. Olhamos para as outras pessoas com interesse, nós pensamos:
1911.08 « Ah, olha, como é que esta pessoa pode pode ser útil? Como é que esta pode servir aquilo que eu tenho em mente?
1917.96 Como é que ela pode servir para a satisfação dos meus desejos? Como é que eu consigo manipulá-la ou manipulá-la?
1923.559 Como é que eu posso aproveitar esta situação de tal maneira que eu vou ser o o que tem a situação sob controle? Isto
1930.559 pode ser um exemplo de um olhar que não é por um olhar fragmentado
1936.679 que está a ser envenenado pelo e autointeresse. A citação que vem de um
1943.919 teólogo a a medieval, um agostiniano em
1949.639 França, está intimamente ligado com o ensinamento de Cristo no Evangelho no
1956.919 sermão da montanha, quando ele nos diz para que o nosso olhar seja
1965.88 puro não fragmentado. Ele eh fala da relação existente entre o
1971.399 amor e a visão. Amar e ver é muito importante. Nós temos uma tendência nas
1977.72 línguas modernas e contemporâneas de e falar do amor em termos sentimentais. O
1984.039 que é que é amar? É sentir alguma coisa por alguém? É querer abraçar alguém? É
1989.799 querer ser abraçado por alguém? Algumas pessoas diriam que também e querem ir para a cama com alguém, mas de facto
1997.519 este aspeto passional do amor é é verídico. Mas mais
2004.279 importante do que isto é que o amor precisamente está enraizado numa preparação, num desejo de ver e de ser
2011.639 visto. E nós podemos, de facto, capturar isto
2018.2 na maneira como duas pessoas que verdadeiramente se amam olham um para o outro. ou podemos vê-lo, eu usei este
2025.08 exemplo no livro e eu e eu acho que este exemplo é extraordinariamente fascinante. Quando se alguém eh põe um
2032.2 bebé ao colo e por exemplo um bebé de 4 ou 5 meses e particularmente eh se de
2040.399 facto se somos celibatários e que não h e não estamos habituados a crianças, nós
2045.88 temos imenso medo de deixar cair. Nós percebemos que este bebé nos olha
2051.679 diretamente para os olhos e temos esta sensação que eles conseguem ver-nos até ao nosso o mais profundo ser,
2059.28 mas mas sem qualquer complexo, sem nenhum recémio, sem qualquer agressão, sem qualquer agressividade. E muitos das
2066.639 nosso, do nosso ver atual está impulsionado pela agressividade. E muitas vezes este olhar é está
2073.28 fragmentado por estas coisas que todos os telemóveis que trazemos nos bolsos e
2079.879 que nós estamos sempre a ver e a fazer o scrolling dia após dia, hora após hora. Portanto, libertar o nosso olhar,
2087.0 reganhar a nossa liberdade de imaginar, ver as pessoas para aquilo que elas
2092.44 verdadeiramente são, mais do que propriamente, em termos das minhas próprias projeções. E isto é aquilo que
2098.4 significa ser amado e amar. É por isso é que a aquisição de um olhar que consiga
2105.839 verdadeiramente ver e não simplesmente consumir constitui uma parte tão importante
2111.28 da nossa maturidade humana e cristã, uma capacidade de ver o mundo, de ver os outros de tal maneira que seja não
2118.96 possível, que pode usufruir, que pode agradecer por outra pessoa sem cair na
2126.68 tentação de dizer é minha ou é meu que pode
2132.72 tantas vezes ser uma tendência hum como o Drácula, que utiliza as outras
2140.04 pessoas só para lhes sugar a sua vitalidade, a sua vida, para que eu me
2146.76 possa sentir um momento de satisfação. Isto não é amor little
2153.359 about
2160.2 livro tem uma riqueza enorme. Estes minutos de conversa tão em duas páginas.
2168.839 Leiam, por favor, vale mesmo muito a pena. vão encontrar uma sabedoria imensa
2176.56 e vão perceber que esta preocupação sobre como é que nós vivemos castos não é um problema de hoje. E é um problema
2183.4 que nos padres do deserto foi enfrentado de forma muito perspicaz e que nos
2190.16 ajudaria imenso a fazê-lo da mesma forma hoje em dia. Por isso, tá lá fora,
2196.24 emprestem uns aos outros. Não façam fotocópias porque não dá, mas
2202.24 leiam e vivam. Muito obrigada.
2207.92 Muito obrigada, Joana. Muito obrigada, Dom Éric, por estas perguntas e por estas respostas. Já ficamos com h uma
2217.119 noção daqueles que são os grandes temas eh do livro, como é que o Dom Éric
2222.28 constrói o seu argumento para propor a castidade e porque é que a castidade h e
2228.64 passa por uma reconciliação dos dos sentidos. Foi muito bom eh ouvir este
2233.839 este diálogo e é bonito vermos a tradutora quem permitiu que pudéssemos ter acesso ao livro em português e o seu
2240.48 autor. HH é muito bom. Eh, vamos passar à segunda parte eh desta nossa conversa
2247.72 com mais três convidados. Agora sim, vou apresentar as outras três pessoas que temos eh em palco. Vamos agora trazer a
2255.359 realidade e a vida encarnada hh e a realidade concreta de quem h tem um
2262.16 determinado estado de vida, uma determinada história, uma determinada personalidade e quer também perceber
2268.16 como viver eh a castidade, como desenvolver esta esta virtude. E,
2273.68 portanto, temos três pessoas a que eu vou começar por apresentar brevemente e que irão entrar agora no diálogo com o
2280.96 Dom Éric e cada um fazer-lhe uma, duas perguntas. Já veremos o que é que é, o
2286.0 que é que é possível. Então, em primeiro lugar, temos a Madalena Videra, que vai ser a primeira a colocar uma questão. A
2292.92 Madalena tem 23 anos, está no último ano de medicina medicina na Faculdade de
2298.28 Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. participou na organização da Missão País, que seguramente
2306.0 toda a gente conhece, mas que eu direi que é um projeto universitário que leva o Evangelho às comunidades e
2312.88 portuguesas, está ligado ao movimento Schunstad e tem colaborado na organização de vários campos de férias
2319.56 católicos. Depois vamos ouvir eh o diácono Afonso Sampaio Soares, que é
2325.64 licenciado em direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, mestre em teologia pela Universidade Católica, onde
2332.52 estamos, onde defendeu a tese A presença real de Jesus na Eucaristia. Atualmente
2339.16 exerce o seu diaconado na paróquia da LournhÃ, com vista à ordenação sacerdotal, que em princípio acontece já
2346.92 no próximo mês de novembro. Por fim, vamos ouvir, tá tudo a rir,
2353.8 estão a reagir com entusiasmo à à ordenação eh sacerdotal eh do Afonso.
2360.64 Por fim, vamos ouvir uma pergunta do Vasco Almeida Ribeiro, que é casada há 8 anos com a Mafalda, pai de quatro filhos
2367.0 com mais um a caminho, é project manager numa empresa de seguros e juntamente com
2372.48 Maafda costumam dar testemunhos eh sobre o namoro cristão. mais recentemente tem
2378.599 partilhado a sua experiência em torno do tema da adição à pornografia e do caminho para a superar. Cada um dos três
2386.119 vai entrar agora em diálogo com o Dom Éric, com uma pergunta concreta a partir do lugar de cada um. Obrigada aos três e
2393.2 a palavra é vossa. Vou passar o meu microfone à Madalena. Eh, Dom Éric, h, há ensinamentos na
2400.96 igreja que vemos que se vão alterando e que se vão adaptando aos nossos tempos.
2406.2 Eh, mas ao olhar para a castidade, percebo que não é um destes ensinamentos. Ou seja, eh, olhar com a
2412.88 castidade percebo que é uma virtude imutável. E a minha pergunta é: o que é que faz desta virtude uma virtude
2420.28 imutável que não se vai mudar e mesmo que os tempos e as circunstâncias se alterem?
2436.92 Porque, tal como disse anteriormente, porque não tem tanto a ver com a ver com preceitos morais,
2444.88 mas antes com o nosso estado de ser humano. O ser humano, aliás, para quem
2451.079 estudou história ou literatura, dirá que o ser humano
2461.0 enfrenta os mesmos conflitos, as mesmas tensões,
2467.2 as mesmas incertezas em qualquer tempo.
2472.64 E, portanto, castidade, no meu entender, e, como a apresento no livro, tem a ver
2479.119 com o aprender a viver de acordo com um propósito divino, que é o propósito que
2486.72 está impresso no nosso a ser. E, portanto, se eu eh o aceitar com toda
2494.56 essa seriedade e eh na nas escrituras
2499.64 diz-se que eu fui criado e na imagem de Deus. E, portanto, se isso é verdade,
2507.16 qualquer eh coisa que eh não atinja essa imagem de Deus não nos dá satisfação.
2515.16 Podemos ter pequenas satisfações seguindo outros percursos, outros e
2521.64 caminhos e eh serão satisfações
2526.92 temporárias, mas não preencherão plenamente. Portanto, para se aprender a
2532.68 viver e de forma casta e inteira, como eu sugeri, antes de mais, é aprender a
2541.119 ultrapassar a divisão que condiciona a nossa experiência
2546.559 e estar disposto a aceitar e o o dom que
2551.92 Deus preparou para nós e assim crescer e transformar-nos
2557.96 em função desse domicar. como
2563.2 são São Pedro nos exorta a fazer na no Novo Testamento,
2569.72 na sua segunda carta e na divina natureza em que a nossa eh divindade
2579.76 seja preenchida na presença de Deus. Portanto, é em última análise, isso é que é castidade.
2586.52 Eh, Dom Éric, é sabido que fora da igreja a castidade é visto como algo
2592.68 antiquado e às vezes absurdo, mas o que me traz algum transtorno é que dentro da
2598.52 própria igreja já haja algumas vozes que também vê a castidade como algo
2604.04 relativo. E a minha grande inquietação é como é que isto é possível, como é que dentro da igreja há tanta discórdia e
2613.2 como é que com os mesmos fundamentos e com a mesma doutrina chegamos a conclusões diferentes sobre este tema da castigade.
2627.92 Parece-me que é porque muitas vezes a discussão ocorre a um nível demasiado
2634.8 superficial que endereça eh antes de mais ou até mesmo
2640.44 exclusivamente eh os hábitos e eh ou atitudes em vez de
2649.48 eh entrar na natureza humana daquilo que somos ou aquilo que podemos ser.
2658.48 e eh no contexto católico, qualquer tentativa de falar de um tema
2665.0 que eh que eh interessa os temas de
2670.559 afeção ou sexualidade e toca e trauma ou
2676.559 e uma ferida porque e nós somos e dolorosamente
2683.16 conscientes de como se liber CTO
2689.2 tem causado imensa dor. Isto é algo que temos que reconhecer em toda a verdade,
2697.119 reconciliar-nos com ela em termos de justiça, compaixão e reparação.
2704.44 Portanto, não podemos, por esta razão, eh, deixar-nos
2710.8 emperrar na atitude destes temas fundamentais que estão associ associados
2716.359 à alegria e ao florescimento e eh que se opõem a ao a
2725.599 à tristeza, à desilusão, ao medo. E até pode esse medo e essa desilusão podem
2732.599 estar justificados, mas é necessário, na verdade entrar mais
2738.72 aprofundadamente na discussão e entrar e no solo de nossa fé cristã e
2748.599 compromisso, que é a revelação de Deus em Jesus Cristo, que é o mistério da
2754.16 encarnação que nos eh revela do que a natureza humana é capaz
2763.0 e ao qual somos chamados, a comunidade do divino e a revelação.
2771.559 É, é, portanto, aprender uma forma divina de ver as coisas. Dom Éric,
2778.119 gostei muito de ler o seu livro, li as 51 páginas com muito gosto e proveito. Teria muitas perguntas a fazer-lhe, mas
2785.24 o tempo e tenho que gerir o tempo e vou-lhe fazer aquela que me parece mais
2790.96 premente. As a páginas tantas, o Dom Éric conta que estava para entrar no mosteiro, entra no mosteiro e o monge
2798.28 lhe disse que disse o seguinte: « Não tens o direito de viver uma vida
2805.559 estéril ». Eu lembro-me também quando estava em discernimento vocacional, o
2810.599 padre que me acompanhava, o padre João Seabra, disse-me que às tantas estava falado da paternidade. Padre João disse:
2818.04 « A vocação solibatária, a vocação sacerdotal é uma forma exponencial
2823.559 excelente de viver a eficácia paternal, viver, portanto, o contrário da
2829.48 esterilidade. Podemos dizer que o não ser casto pode gerar esterilidade e a
2834.599 castidade gera essa fecundidade que todos almejamos. gostaria de ouvir também como é que
2842.599 marcou esta frase e se nos pudesse ser mais sobre isso.
2854.04 Muito obrigada por e dizer isto, porque e eu penso que foi o conselho mais útil
2860.88 que eu alguma vez ouvi na vida. Eu não disse que eu, enfim, tenha vivido muito bem, mas e soa-me eh nos ouvidos. E foi
2868.4 algo que um amigo meu me disse quando eu decidi ir para a vida monástica. Ele
2873.72 também era monge e beneditini e durante, enfim, ele já estava quase a chegar aos
2879.359 90 anos de idade, portanto há mais de 100 anos que era mong. Ele estava muito a encorajar neste caminho da vida monástica, mas também eh gostava muito
2886.119 de me dizer o que é que se tratava a vida monástica, aquilo que era e aquilo que não era. Tivemos uma conversa sobre
2891.52 este compromisso de celibato que é muito diferente do compromisso de ser casto.
2896.599 Eu gostaria muito de dizer isto de uma maneira muito clara, fazer esta distinção. A castidade e o celibato não
2902.96 são a mesma coisa. O celibato é um estado de vida
2908.119 e com um objetivo espiritual através do qual um homem ou uma mulher
2916.079 não pratica vida sexual. E h vocação e é uma vocação ao fim e ao cabo
2921.76 bastante rara na igreja, enquanto que a castidade chamamento a sermos inteiros é
2928.319 um convite universal, um algo que nos diz respeito a todos. Mas mesmo eh no estado eh celibatário,
2937.52 para seguir este caminho do discipulado, isto não significa que h que tinhamos
2943.76 que viver fechados em nós próprios. E foi exatamente este que o que este velho monjo me disse. Ele olhou-me nos olhos e
2951.68 disse: « Olha, lembra-te que não tens o direito de viver uma vida estéril. » E é
2957.359 isto que eu gostaria de dizer a todos, a todos que estão aqui nesta sala. não tem o direito a viver uma vida estéril.
2964.76 Porque se Deus vos deu o ser
2970.92 como uma manifestação de um aspecto único da sua glória, não é
2977.359 simplesmente para passarem a vossa vida, hum, enfim, enfim, estarem simplesmente
2983.319 a olhar para vocês no espelho da casa de banho e orgulharem-se. Não, não. foi
2988.44 estes dons que vos foram dados devem que ser passados aos outros e constituir uma
2994.88 fonte de felicidade e de feidade para os outros. Portanto, este
3000.88 este mandamento, vivam e sejam fecundos, diz respeito não simplesmente aqueles que são chamados à vida matrimordal para
3009.0 serem pais e mais no sentido biológico, mas a todos nós, sejamos consagrados, sejamos vivamos h sozinhos
3019.319 e padres, religiosas ou o que seja, o nosso estado de vida, todos nós somos
3024.76 chamados a viver eh de uma maneira generativa. de uma maneira fecunda e
3030.28 passar a vida a outros. E eu diria que
3035.359 a dizer que isto é uma perceção que muda e eu falo simplesmente a minha própria
3040.599 experiência, mas são as mudanças nos diferentes nas diferentes fases de vida.
3046.28 E eu estou convencido pela minha própria experiência, para as pessoas com quem eu tive a graça de acompanhar por aquilo
3053.76 que eu tenho visto e tenho lido, enfim, enfim, já vivo neste mundo há 50 e tal anos e que cada ser humano e
3064.44 transporta em si um profundo desejo de dar vida, de produzir algo, de deixar
3071.52 algo dele para trás, ser uma fonte de bem. para outra pessoa, ser um dom para
3077.68 outros. Isto é verdade, porque ao fim e ao cabo é diso que se trata e está
3083.0 profundamente enraizado na estrutura da existência humana. E é extraordinário que nós possamos ter isto dito de uma
3089.839 maneira tão clara enquanto chamamento cristão. Eu penso que é verdadeiramente
3095.52 importante recordarmos desta, disto e também lembramos os outros sobre isto em
3102.44 tantas vozes nos dizem que não não o que a vida é que v cada um tem que se
3108.04 divertir. tens direito a fazer, a ter aquilo que queres, tens que te sentir
3113.48 bem contigo próprio, tens que estar uma hida sem problemas. Todos nós queremos
3120.76 estas coisas e são bons, mas são coisas boas, mas não são suficiente. E, portanto, este desejo do mais que eu
3128.2 pense neste momento é não tens o direito de viver uma vida estéril. E o desejo que
3134.799 tens de ser fecundo é um desejo autêntico que é chamado a pôr em prática
3143.72 cada um de nós eh nas nossos estado de vida
3149.16 e nas nossas diferentes vocações. Não, Eric.
3154.96 H também uma das coisas que me interessou muito no livro foi nas últimas páginas fala da castidade como
3162.96 um olhar de criança. Eh, aquele olhar que Jesus também pede aos seus discípulos e que relação existe
3171.44 e já que todos somos chamados a ser castos, há uma castidade no namoro, há uma castidade no casamento, há uma
3177.68 castidade na vida célebre. Todos nós somos chamados à castidade. Todos nós somos chamados a ter este olhar de
3184.4 criança. E já que hoje também recorda, a igreja recorda Nossa Senhora e de que
3190.72 modo é que também para um solatário e a figura feminina que não a temos no
3198.359 no sentido do casamento pode estar na nossa vida eh com a figura da igreja,
3203.64 neste caso também com a figura de Nossa Senhora. É uma dupla pergunta, se calhar fugiu um bocado, peço desculpa, mas respond como
3210.599 quiser.
3218.119 E isto, isto é uma grande questão teológica. Para além de ser uma questão humana, nós poderíamos passar aqui
3223.359 semanas e semanas a falar sobre isto. Portanto, como é que como é que eu consigo responder de uma maneira breve?
3229.72 diria que se nós respondamos e voltamos outra vez
3236.359 ao início do livro do Gênesis, e é aquilo que a igreja faz quando fala de Virgem Maria e porque a apresenta como
3245.839 uma nova Eva, [Música] a mulher
3252.28 que nos mostra de novo aquilo que a primeira mulher perdeu foi
3257.76 precisamente esta capacidade. de ver h sem medo, sem constrangimentos. E quando
3266.319 o Senhor e quando Deus criou o homem, Adão, e como sabem, a palavra Adame é
3274.0 retirada de uma palavra hebraica, chama-se Adamaiá, que quer dizer a terra, o a terra fecunda. Portanto, o
3281.16 Adam é a criatura que é retirada da terra fecunda. Portanto, Adão foi feita
3287.119 à imagem semelhança de Deus. está perante Deus e todas as todas as
3292.319 criaturas que já foram criadas, ele vê-os, ele dá-lhes nomes. Estas criaturas afirma a sua existência, mas
3299.04 isto não é suficiente. Ele está sozinho. Ele sente-se sozinho.
3305.68 E então e Deus diz: « Não é bom que o homem se sinta sozinho ». E então
3312.76 forma a Eva, retira de Adão, mostrando que e é uma questão que eu
3319.599 elaboro no livro que e que vem de uma intuição maravilhosa do poeta francês Paul Clodell, o facto de que, enfim,
3326.52 temos que ser muito claros, nós estamos a falar em termos de símbolos poéticos aqui, não é? Símbolos poéticos que não
3331.96 quer dizer que não sejam verdade, sim, mas têm que ser compreendidos em termos simbólicos. Claudel diz: « O facto de que
3338.799 Eva é retirada do Adão significa que no homem existia uma forma de mulher
3346.88 que estava à espera de se tornar explícita
3353.599 perante o homem. » E o que é interessante é que Eva
3360.16 está perante Adão. Adão acordo acorda do seu sono.
3365.359 Ele e grita de prazer e diz: « E eu estou a parafetizar e o e o
3375.16 hebraico ». Ele diz: « Uau, viva! aqui, finalmente,
3383.079 eh, aquilo que eu mais desejei e é este olhar
3388.76 h dele e o olhar dela que me vê como eu sou, que olha para mim, que me reconhece
3395.16 como eu sou, mas que é diferente de mim. E aquilo que a Bíblia nos diz é que é
3401.52 exatamente neste encontro com o outro com a alteridade,
3408.4 que é o modo como nós crescemos, que amadurecemos. E é assim que nós
3414.0 crescemos. E isto também é uma
3419.52 uns um chamamento e uma tarefa universal para todos nós, homens ou mulheres,
3429.16 crescermos dentro de nós, ou seja, posicionarmo-nos
3434.319 e perante o outro nesta prontidão de ver e de ser visto de tal maneira, de uma
3440.839 maneira que não seja cruel ou que não seja exploradora ou que seja mercenária, mas respeitosa
3448.52 e cheia de espanto. E isto é a última análise, é aquilo que representa o
3454.68 mistério mariano e aquilo que Virgem Maria nos ensina é ver.
3463.28 Eh, com certeza que vem isto nos nos portais de Natal. E se calhar já viram
3469.119 mesmo isto ao vivo. Uma pintura de Jot e uma um presépio nascimento de Jesus em
3478.079 que temos Maria olhando nos olhos do
3483.319 filho de Deus como fosse o homem e o arquétipo do
3489.48 homem e da mulher restaurados. pela pela primeira vez desde Adão e Eva
3495.2 em termos bíblicos, ou seja, um homem e a mulher olhando um para o outro sem
3500.76 aquele tal erro de programação de que falamos, com fascínio,
3505.839 com espanto e com alegria. E isto é disto basicamente que se trata.
3513.2 Muito obrigado, Dom Éric, pela sua exposição e por este livro. H, eu represento os casados, mas os casados
3520.2 jovens, ainda assim. H, e a minha primeira pergunta tem a ver com os
3525.839 casais jovens. Portanto, como é que hoje em dia muitos casais jovens hh
3532.119 nomeadamente aqueles que viveram uma conversão e querem viver plenamente a sua fé católica, vivem a intimidade e
3539.319 diria mesmo até a sexualidade de uma forma muito escrupulosa por causa dos
3544.64 erros cometidos no passado, eh os pecados contra a castidade que hoje em
3549.68 dia, enfim, de alguma forma estão muito na moda.
3554.96 são assaltados por memórias, por tentações, já estão casados e não se acham digno
3560.4 daquela mulher ou daquele marido. E de facto, nos últimos 20 anos, o
3566.0 problema da pornografia veio exacervar esta realidade, porque temos uma
3572.0 primeira geração em que, de forma transversal, há uma distorção de o olhar sobre o outro, aquilo que falava há
3578.64 pouco, de um olhar possessivo sobre o outro. A minha pergunta é de que forma é que,
3585.16 se possível também com algum conselho prático é que pode encorajar
3590.68 nós, os jovens casais a reeducar o nosso olhar para verdadeiramente amar aquela
3597.24 pessoa que acreditamos que nosso Senhor escolheu para nós.
3606.039 Hum, muito obrigada por esta pergunta e muito obrigada também por ter referido a questão da pornografia.
3611.76 porque é um elefante que está presente em tantas salas e que é um facto que
3619.839 causa luta e uma infelicidade
3625.079 e para tantas pessoas, para homens e para mulheres. E, e eu penso que é muito bom ser capaz de nomear isto e de de
3632.24 falar sobre isso e mais uma vez não deixar que e esta e que esta imaginação
3641.319 fique imprisionada na vergonha, mas perguntar, mas como é que eu posso sair? Como é que eu posso
3647.24 sair daqui? Porque uma dependência, uma dependência de conteúdos eh
3654.359 pornográficos, habitualmente conteúdos pornográficos digitais, pode representar uma um aprisionamento dos sentidos, um
3662.48 verdadeiro aprisionamento dos sentidos. E como diz, e há inúmeras pessoas hoje em dia que vivem com esta ferida. A
3670.039 coisa boa é que a ferida está agora a ser discutida e existem pedagogias, já existem
3678.359 pedagogias, existem estratégias concretas que nos permitem h nomear o problema,
3686.72 encontrar uma uma maneira de sair dela e propor, enfim, meios de ajudar as
3692.599 pessoas. Portanto, a primeira resposta à sua pergunta é se isto é um um um que é
3699.44 um aspecto da nossa própria história. Em primeiro lugar, nós temos que olhar para isto sem medo e romper com o medo e
3707.039 acreditar na possibilidade de que este olhar pode ser
3712.72 reconstituído, que a nossa imaginação pode ser liberta. Eh, e portanto é uma
3719.2 maneira de sair desta prisão. Isto é um processo eh que é um processo, a última
3724.799 análise de cura e peço desculpa por ter eh voltar a falar desta palavra sempre.
3731.52 É um processo de libertação. É uma palavra bíblica que é
3737.079 absolutamente fundamental. É uma palavra que São Paulo diz explicitamente nas na
3744.0 epístola aos Gálatas para a liberdade, Cristo libertou-nos. E
3750.559 uma das coisas verdadeiramente importantes em qualquer relação, seja uma amizade, seja uma aliança, eh, ou as
3758.88 relações numa comunidade religiosa ou numa relação matrimonial, o que é que me
3766.76 está a evitar a minha plena liberdade nesta relação e o que é que está a comprometer o meu olhar?
3774.68 e temos que lidar com isso. Portanto, pediu-me um conselho concreto. Este é o primeiro conselho, é perguntar-me o que
3782.039 é que está a comprometer a minha liberdade e como é que eu posso como é
3787.72 que eu posso libertar-me e estarmos e sermos determinados nesta tentativa de nos libertarmos e depois numa relação,
3794.24 num casamento, e treinarmos,
3799.96 eh, habituarmos a deixar cair as máscaras e e fazer com que o outro nos
3805.599 veja como nós verdadeiramente somos. Eu sei que eu sei que um casal
3811.88 enfim, um um casal na minha diocese também que teve mais ou menos tanto tempo casado como vocês estão e que
3817.839 falaram disto em público, portanto eu não estou aqui a trair a sua confiança, mas eles viveram os dois umas vidas
3823.88 muito complicadas e diziam que quando decidiram
3829.2 que iriam e de facto ser casal e e de
3834.4 facto e e ter uma vida em comum no futuro. por decidiram que iriam
3839.68 e passar uma semana juntos numa numa e
3845.4 cabina e numa casa na floresta e contavam contaram um a vida deles um um
3853.0 ao outro. Portanto, assumiram esse risco como se enfim, estavam a mostrar as suas
3859.039 feridas um ao outro, não com o propósito dizer: « Ah, coitado de mim, olhem isto
3865.92 que me aconteceu ». Não, mas revelar aquilo que verdadeiramente fazia parte
3872.279 da sua da sua história afetiva, da sua história existencial e dizer ao outro:
3879.24 « Isto faz parte daquilo que eu sou e gostaria muito que isto fosse também
3885.24 teu. Aceitas isto? Isto é uma maneira de nos treinarmos nesta h arte de ver e ser
3893.52 visto. E é um exercício não da honestidade, um exercício de sermos
3899.559 verdadeiros. É aqui onde nós vemos mais uma vez esta ligação entre o ver e
3905.68 reconhecer que tem por um lado, uma componente intelectual que tem a ver com a veracidade. Eu penso que é
3911.599 extraordinário. Eu não sei se isto funciona em português, em inglês nós e podemos estar a ler alguma coisa que nós
3919.039 não percebemos e depois de repente vemos percebemos e dizer: « Ah, ah, já veio, já vi, já vi o que isto é ». Portanto, ver
3925.68 também tem uma componente intelectual, ou seja, ver tem o seu a a componente
3931.4 efetiva e a componente relacional. A segunda pergunta que tem um pouco a ver com esta a história do casal e e do
3939.48 irem para a cabana e e tomarem essa decisão tem um pouco com isso. Logo no início do livro e já leiu a isso há há
3946.96 minutos, explica que castidade e celibato não são a mesma palavra, não é?
3952.799 Mas a o celibato é uma forma concreta de ver a castidade. E de facto creio que o
3959.039 tenha explicado porque paira no ar ainda a ideia de que a castidade é o celibato.
3964.52 E muitas pessoas quando se casam ou quando pensam em casar ou mesmo quando já estão casadas há muitos anos ainda
3971.0 não perceberam isso e não entendem a castidade como uma forma h como a
3976.64 realidade estrutural da sua vida. E a minha pergunta é: podemos explicar a
3982.88 castidade a um casal, não vivida só de forma individual, mas também vivida em
3988.76 casal?
3998.839 E foi por essa razão que eu escrevi o livro, acho eu. Eh, eu não estou aqui
4004.16 apenas para eh dizer isto ou para apenas o publicitar.
4014.68 Eh, porque na verdade se tem a ver com o que significa estar plenamente vivo,
4022.839 amar, ser amar, libertar-nos do medo ou significa ser-se inteiro.
4031.559 a também libertarmos da fragmentação, da experiência, o olhar fragmentado. E
4039.2 quando este fatores estão em cima da mesa, grande parte das pessoas dizem: « Bem, eu talvez não me importasse ser um
4046.64 pouco mais livre ou mais inteiro do que aquilo que sou. » E, portanto, para nos tornarmos livres
4052.88 ou inteiros, não é algo que possamos fazer dentro do armário, porque tanto a
4058.52 liberdade como eh os sermos inteiros desenvolvem-se
4064.2 precisamente da forma como coexistimos e interagimos com o outro.
4069.88 E assim regressamos à afirmação bíblica de que não é bom para o homem estar
4075.72 sozinho. Na verdade, todos nós nos tornamos aquilo que somos numa relação.
4082.92 Na relação. A questão é, será que me atrevo a tanto? E será que estou
4089.039 preparado? E se não estou preparado, como é que me posso preparar? É na verdade nesses termos que compreendemos
4097.4 a importância deste discurso e também eh entendemos
4104.679 o o a sabedoria acumulada
4110.88 de cristã de 2000 anos. Madalena e ao Dom Éric pelas pelas
4118.04 perguntas, pelas muito boas perguntas e pelas respostas. que vão abrindo mais
4124.56 campo, se calhar, para cada um, de mais perguntas e de mais inquietações. E, portanto, chegamos ao terceiro momento
4130.96 da nossa conversa e agora todos os convidados eh são vocês, é a audiência h
4138.4 para que possam fazer perguntas ao Dom Éric. Portanto, se alguém tem uma pergunta, levante o braço. Já vejo ali
4143.96 um braço. Dom Éric, sou Afonso, muito obrigado pelas suas palavras e por revê-lo. É uma alegria revê-lo aqui em Portugal. Eh, o
4150.6 Domake falou logo no início da importância de resgatar as palavras de
4156.12 prisões semânticas e fê-lo aqui neste livro em relação à castidade. A minha pergunta é se eh num esforço de nova
4163.679 evangelização h se esse esforço passará muito por um resgatar do velho
4168.839 significado de palavras. Falamos aqui de de pecado, mas também redenção, salvação. Se devemos buscar novos
4176.04 significados para os conselhos de sempre ou seos fazer um esforço de ir à procura dos significados de sempre. Obrigado.
4190.799 Boa pergunta. E parece-me que os dois estão relacionados.
4196.96 Cada época cultural era cultural.
4202.56 tem de expressar a sua esperança e a sua angústia e apresentar e pregar
4212.4 a palavra e recordando as sensibilidades dessa era
4219.8 e que de forma a responder às perguntas da era, em particular da era concreta,
4227.92 nós Enquanto católicos e especialmente nós
4232.96 padres e bispos, arriscamos-nos a passar muito tempo
4239.32 a apresentar investigas e
4245.52 respostas elegantes, muito profundamente investigadas a perguntas que ninguém
4252.48 coloca, que ninguém pergunta. Portanto, uma das nossas grandes tarefas
4260.239 é de ouvir as perguntas de agora e tentar responder a essas perguntas em
4267.719 palavras que sejam inteligíveis. Agora, eh, mas não quer dizer que devemos, eh,
4275.4 esquecer apenas e tudo o, ou ignorar tudo o que aconteceu antes. Olhamos para
4283.64 não só a história eh crista, a própria história civilcional da civilização
4292.199 ocidental, o renascimento. Falamos do renascimento, mas houve
4299.88 muitos renascimentos na história ocidental e quase todas estavam
4306.32 relacionadas com a momentos em que as pessoas releram eh recursos antigos,
4314.96 interagiram com elas, tentaram entendê-las
4320.199 e depois deixaram-nas ressoar no presente num diálogo.
4326.84 Portanto,
4332.08 eh, na verdade, todos podemos ganhar e até desfrutar de esta interação com textos clássicos,
4342.239 palavras de adáios antigos e perguntando-nos como é que nos falam
4350.12 hoje, primeiro entendendo-las e no seu tempo. e depois tenta deixando-los
4356.88 ressoar no tempo presente. Parece-me, isto pode, poderá ser apenas
4362.719 um pressentimento, mente, mas muito facilmente no nosso clima atual, cultural da nossa sociedade, que e se
4372.6 mexe tão rapidamente e de forma tão ansiosa, eh,
4379.159 dizem-nos que por aquilo que passamos agora e aquilo que nos está a condicionar as vidas hoje é tão
4387.12 diferente do passado e nada de tal forma que nada do que foi dito no passado nos
4394.719 pode ajudar agora, portanto, vamos ter que inventar a nossa própria linguagem,
4399.96 a nosso próprio e discurso de agora. Isto não me convence de todo. Dom Éric, muito obrigado. Eh, a minha
4407.08 pergunta é em relação no seu no seu livro, eu ainda não li este, mas li o
4412.159 anterior Romper a solidão, e vejo que fala muito da arte e da literatura eh porque lhe interessa. E e eu intuo que a
4421.6 uma das possibilidades de recuperar este olhar livre, este olhar humano, é através da arte e, em particular através
4427.84 da poesia. Ou seja, como se isso fosse uma uma forma de, digamos, de salvar também a
4434.159 nossa mentalidade para não para que a nossa mentalidade não se transforme com
4439.56 os nossos erros, as nossas quedas, mas sal mantê-la sempre eh em direç
4446.239 em direção ao ideal, a um ideal maior. Portanto, a minha a minha pergunta é se
4451.76 se a arte realmente pode ter este papel, em particular a poesia, e e como
4457.199 distinguir entre a nossa mentre a nossa fragilidade natural, quer dizer, somos frágeis, caímos, pecamos e a e a nossa
4464.8 mentalidade tornar-se condicionada pelas circunstâncias em que vivemos.
4474.6 O que é poesia? É uma construção de linguagem
4485.36 e dependente das regras de diferentes épocas, segue regras diferentes, mas
4493.679 acima de tudo poesia é uma afirmação. E a a grande poesia de mais alto nível é
4503.8 uma afirmação única de uma experiência, de uma apreciação, de uma realidade que
4511.199 nos permite, enquanto leitores desse poema,
4519.96 eh, eh, senti e ver de novo, eh,
4528.239 deixar cair os escudos que nos cegava. E, por exemplo, se lermos um poema sobre
4535.76 uma maçã, vamos pensar: « Bem, eu nunca tinha olhado para uma maçã dessa forma.
4541.96 A poesia e qualquer afirmação artística, literatura,
4547.32 arte, a escultura, a música tem essa capacidade de nos confrontar
4556.4 e permitir ir ao encontro de uma verdade
4563.76 profunda e cognitiva.
4569.0 E por isso a interação com a arte, a meu ver, como,
4580.52 a a expressão mais profunda e precisa da
4585.92 humanidade é e uma excelente forma de nos crescermos em sabedoria e de
4593.239 autoconhecimento. E também em termos de interagir com a
4598.56 minha própria fragilidade, pode ajudar muito encontrar uma afirmação num filme,
4606.4 num poema, num livro, num diário
4612.88 em que um eh pensamos, eu pensava que eu era o
4619.84 único que não tinha compreendido isto, que eu não conseguia entender. Isto
4629.239 lembram-me quando eu fui era no no vice
4634.44 no no Mosteiro e comecei a ler as literaturas do e
4645.12 padres do desé deserto e ali exertos como as filosofias de casa e fiquei
4654.0 espantado. pensava como é que esta pessoa que viveu há eh 15 anos num contexto completamente
4663.0 diferente do meu consegue fazer uma descrição
4668.52 tão com tanta precisão cirúrgica dos meus conflitos, das minhas batalhas. E
4675.88 encontramos isso na literatura, na poesia, onde encontramos uma fonte
4681.8 de a assistência ao crescimento e também e
4687.12 desafios e possivelmente até grande consolo. Ainda temos tempo para mais pergunta.
4694.56 Boa, Dom Eric. hh eu tava agora a folhar um bocadinho o seu livro e tava a ver o
4700.4 índice, hh e reparei que há que há um capítulo que que pronto que tem a ver com e pronto, a vida contemplativa. E eu
4707.96 acho que é isso que também atrai muito esta conferência, porque nós constantemente, graças a Deus, somos bombardeados hoje em dia com a, ou seja,
4715.76 com conferências de castidade de de patos seculares, de casais, de consagrados, de de tudo mais alguma
4721.92 coisa, mas ter um pronto, uma pessoa eh que vive a vida monástica é uma coisa
4728.0 que é super interessante, pronto, ver a castidade dessa forma. E, portanto, a minha pergunta era como é que eh você se
4735.32 podia dar alguma amostra de como é que a vida monástica informa a sua visão da
4740.52 virtude da castidade.
4747.56 Vida monástica e pressupõe um compromisso e
4755.96 celibatário. Claro que há todo um período de provação. quando se entra no
4761.48 ou antes de entrar no mosteiro. Mas a vida que me é proposta é uma vida
4766.98 [Música] um é uma vida em que nunca me permitirá
4773.76 olhar para outra pessoa e dizer: « Eu sou teu, tu és minha ». Portanto, o estado eh
4781.96 celibatário é a escolha livre, não só a aceitação, mas escolha livre de uma solidá muito
4790.88 específica. Eh, portanto, isso condiciona a minha
4798.0 própria experiência, porque quando entramos nessa solidão,
4805.719 tal como entramos numa solidão física, eh, por exemplo, o deserto, o deserto
4812.44 nas escrituras, quando entramos nessa solidão,
4818.52 eh, enfrentamos e diferentes realita tá? As realidades de
4825.08 da imansciidão do céu e a nossa pecanez e eh enfrentamos-nos
4831.36 profundamente. E a vida monástica o que nos ensina é
4837.04 que eh retiramos-nos de um mundo onde
4842.199 acumulamos muitos aspectos significativos. a forma como nos
4848.52 vestimos, a música que ouvemos, as andotas que contamos, o tipo de literatura que
4854.719 lemos, a forma como dizemos às pessoas: « E assim sou eu? » ou « É assim que eu
4859.76 gostaria que me que me visses »? Mas quando entramos no mosteiro,
4865.08 recebemos estas roupas eh iguais para toda a gente, portanto é menos uma preocupação.
4871.239 Eh, o nosso cabelo é é rapado e, portanto, eh, ficamos e eh só connosco
4880.76 próprios e, portanto, temos que enfrentar aquilo
4886.92 que temos dentro de nós. Portanto, a solidá monástica
4894.679 tem a e é um certo grau de silêncio que
4900.92 é marca e, portanto, não temos Spotify, nem Netflix
4908.36 e coisas que possamos ouvir ou ver e não
4913.6 estamos com constantemente bombardeados por impressões. sensoriais e durante 5
4920.56 minutos, isso é excelente. Pensamos finalmente que bom, que relaxante. Mas
4926.04 passados esses 5 minutos, percebemos o tipo de filme interno que
4933.56 transportamos e damos-nos conta dos das marcas deixadas
4940.199 por aquilo que vimos, principalmente aquilo que vemos, porque o olhar é uma
4945.719 impressão muito poderosa. Foi algo que eu descobri muito na verdade no
4951.44 mosteiro. Percebia-me que eu trazia comigo a memória. Eu sempre gostava eh
4959.04 gostei muito de ver e cinema e tinha visto muitos filmes e nem todos muito
4964.32 bons. E, portanto, eu trazia em mim a memória de cenas violentas ou
4971.96 apaixonadas que até podiam ser uma sequência apenas passageira de um filme, mas que me
4978.52 tinham marcado e que, de certa forma tinham condicionado ou mesmo contaminado
4986.199 o meu olhar. Portanto, o meu próprio olhar não era por perceber-me disso. Portanto, a vida monástica ensinou-me,
4992.32 antes de mais, a suportar
4999.84 e a bagagem, a minha própria bagagem e
5005.08 viver e aceitar as consequências de escolhas que tinha feito. Ajudava-me até
5012.04 obrigava-me a encarar-me tal como eu sou, eh, com aquilo que eu trago comigo.
5019.639 E a vida monástica insiste muito nisto. A a fundação indispensável para uma vida
5025.84 espiritual de oração é o autoconhecimento.
5032.639 Eh, portanto, isto tem uma certa e intensidade significativa na solidão
5039.6 monástica, que ao mesmo tempo é uma vida de coletividade intensa, porque na verdade não somos o único monstro no
5045.96 mosteiro. Existem outras pessoas ali à nossa volta que eh não escolhemos e eh talvez até
5054.92 não tínhamos muito em comum e mas com os quais temos eh partilhamos
5061.36 esta convicção de um chamamento divino. Portanto, esta experiência complementar
5069.52 de radicalmente eh só eh mas ao mesmo tempo rodeado de
5077.0 outras pessoas e ter que lidar com essas pessoas e tolerá-las, mas também que
5082.08 construir uma comunidade de caridade com elas. eh mas também eh nos enfrenta eh
5089.92 nos obriga a enfrentar aspectos não castos como o rancor, a inveja, a
5096.719 impaciência eh o egoísmo. E temos que lidar com
5101.88 esses sentimentos. E antes de mais, tentar perceber, bem, eu se calhar não
5107.32 sou tão virtuoso como achava que era ou que eu gostaria que as outras pessoas
5112.679 achassessem que eu sou. Portanto, enfrentarmos com os nossos conflitos, com as nossas contradições,
5119.88 h, e, e deixar que tudo o que não está tão
5126.0 ordenado em mim ordenar-se e organizar-se.
5131.49 [Música] os pais de e nos pais de cito, os
5140.8 tem um canto que diz e o Deus Deus
5148.4 e trouxe amor e ordem a mim,
5154.08 mas na verdade existe muito amor e desordenado e em mim. Portanto, ou o medo ou receio,
5162.159 eh a possessão, etc. A dinâmica fundamental eh na verdade
5170.679 tudo isto também está presente na eh vida de casados.
5176.04 Dois amigos meus casaram-se praticamente na mesma altura em que eu entrei no
5181.08 mosteiro e vinham-me visitar uma vez por ano e tínhamos conversas muito
5187.48 interessantes em que percebíamos que nas nossas duas vidas muito diferentes e eu
5194.76 eh num mosteiro contempletivo e eles no na vida da universidade
5201.159 e primeiros anos de casamento e à espera do primeiro filho, enfrentávamos os
5208.119 mesmos desafios de nos libertarmos do egoísmo, de me abrir para o outro e de
5215.679 exercitar e de eh da autoentrega e de nos ver e deixar ver
5224.6 sem medos. Thank you. Chegamos ao fim da Obrigada
5231.28 pelas perguntas. Chegamos ao fim da conversa. Eh, que boa conversa que foi. Eh, penso
5236.88 que saímos todos hoje daqui com este convite do Dom Éric a olhar a castidade
5242.8 como um caminho de transformação para todos, eh, com todos os estados de vida,
5248.0 com todas as nossas histórias. Um caminho de transformação que nos permite
5253.32 realmente vermo-nos, vermos o outro e vermos Deus. hh partindo sempre desta
5259.679 relação primeira com Deus que nos devolve a verdadeira vista, por assim dizer, agradecemos eh muito a todos a
5269.239 presença. Agradeço à Pastoral Universitária, à Universidade Católica,
5274.6 à Capelania da Universidade, à editora Lucerna que nos traz h este livro agora
5281.88 em português. A todos os que ficaram durante esta hora e meia aqui a ouvir o
5287.159 Dom Éric e os nossos convidados, aos que fizeram perguntas, aos participantes do painel, à Joana pelo seu trabalho de de
5294.4 tradução deste deste livro, à Madalena, ao Afonso e ao Vasco. E finalmente uma
5300.719 palavra de agradecimento também muito especial ao Dom Eric. Bishop Eric, thank
5306.48 you so much for yourity, for your reflections, for your work and
5312.52 for your testimony because it was very nice to end with that note
5319.56 we we need testimonies need joyful testimonies in the church ones that give
5325.719 us the strength to continue our own journeys. So thank you. Thank you very
5331.28 much. I think in this room today we also experience what church is with all
5337.6 diversity different people different states of life stories it was wonderful end of
5345.52 this day and we wish that the rest of the days here in Portugal treat you very well and maybe inspire new reflection so
5353.4 thank you so much in the name of all of
5366.52 I’d also just like to to say thank you all of you for coming here. I I am touched that you should have come and
5373.44 stayed and I just want to say as a word of leave taking remember that you’re called to be
5380.639 happy and you’re called to be free. And as Father Sebastian told me, you just
5386.28 haven’t got the right to live a sterile life and youve got life to give. Thank you.
5392.3 [Música]
.

L’article original est réédité du mieux possible. Il est possible d’envoyer un message aux coordonnées fournies sur le site web dans l’objectif d’indiquer des précisions sur ce texte qui traite du thème « men chastity ». sexymendirectory.net vous propose ce post traitant du sujet « men chastity ». Le site sexymendirectory.net est fait pour publier diverses publications autour de la thématique men chastity développées sur le net. En consultant plusieurs fois nos pages de blog vous serez informé des prochaines annonces.

Par Joseph GARCIA

Responsable édition

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